Marte é de morte


Mais uma sonda espacial tenta desvendar o insondável planeta Marte e se dá mal. A equipe da missão européia ExoMars tenta saber porque a sonda Schiaparelli desapareceu no solo marciano sem dar notícia. A NASA que tudo bisbilhota por lá, com a Mars Reconnaissance Orbiter, tem uma pista do que pode ter acontecido: a sonda teria se espatifado na tentativa frustrada de amarcianagem.

Ainda é prematuro – outras confirmações virão do telescópio GMRT da Índia e do satélite Mars Express – mas tudo indica que os propulsores teriam sido desligados prematuramente, provocando o choque e a explosão do combustível que ainda queima a superfície do guerreiro.

Os cientistas falam em maldição de Marte. Schiaparelli, coitada, viajou 500 milhões de quilômetros para encontrar a vida e acabou encontrando a morte em Marte.

Não é o primeiro fracasso na conquista do planeta vermelho e as tantas tentativas – quase 40 e todas muito caras – revelam o quão importante parece ser para os terráqueos o sucesso dessa missão: é lá que promoveremos o grande loteamento de novos condomínios daqui a 100 anos, garantindo aos compradores longa vida e dias um pouco mais longos, de 24 horas, 39 minutos e 35 segundos a mais. De tal sorte que, na calmaria dos ventos marcianos, poderemos trabalhar um pouco mais e viver um pouco menos.

Já fracassaram várias missões de sondas russas Korabl, Mars e Phobos e de algumas norte-americanas Voyager, Mariner, Viking e Beagle, que ou se perderam ou se espatifaram na descida em Marte.

Mas há algumas missões curiosas: a sonda Curiosity, por exemplo, entrou misteriosamente em modo de segurança e, depois de dois dias de agonia marciana, também misteriosamente voltou à vida ex machina, reativando sua conta oficial no twitter, com a citação da canção de White Snake: “here I go again”.

“Aqui vou eu de novo, sozinho. Pela única estrada que conheço. Fora do modo de segurança – de volta ao trabalho”.

Depois disso, é sucesso planetário a última selfie tirada por Curiosity em Marte, indo dos Murray Buttes em direção às altas inclinações do Monte Sharp: revela relevos estonteantes.

Essa Curiosity é mesmo curiosa: um caçador de extraterrestres jura que a sonda encontrou por lá um fóssil de tubarão. Nada mal para um planeta em que a cada primavera – exatos 1 ano, 321 dias e 7 horas terrestres – revela misteriosas marcas de aranha, padrões de linhas cruzadas resultantes da erosão da capa de gelo de dióxido de carbono.

Uma empresa lunática, a Space X, já estaria vendendo, a 200 mil dólares por cabeça, lugares antecipados para a primeira expedição de humanóides. A viagem a Marte deverá durar 80 dias, tantos quanto Julio Verne gastou para dar a volta ao mundo com Phileas David Niven Fogg e Passepartout Cantinflas. A reserva não garante a data do vôo, a viagem é somente de ida e é certo que não haverá recompensa de pontos de milhagem.