O Bispo no xadrez da política

 

 

É preciso mudar para nada mudar e tudo igual ficar, recomenda o príncipe Giuseppe Tomasi di Lampedusa, duque de Parma, na novela Il Gattopardo. “Tudo deve mudar para que tudo continue como está”, sentencia o príncipe de Falconeri.

O poder, o poder, o poder...

É uma doença, um vício, que nasce do instinto de sobrevivência do homem e nele se desenvolve, produzindo efeitos e malfeitos gerais, influindo nos destinos mais do que as religiões. Adaptando Lord Acton e Montesquieu, o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. Mas para quem o detém, o poder corrompe docemente...

Nunca o objetivo é o de servir ao povo, mas sim o de usufruir: quem busca o poder o faz pela insaciável ambição do exercício do poder e à satisfação de grave desvio de personalidade dos que se têm por mais iguais: os ungidos, os escolhidos, os eleitos.

Os limites do poder o próprio poder sugere e impõe, como auto defesa e preservação. O mesmo poder que elege o príncipe da sociologia FHC concede a eleição sem armas do proletoperário analfabeto Fuiz Hinacio da Cilva, o FHC dos pobres ricos. E esse mesmo poder tira a bola do jogo quando o jogo já não mais lhe convém.

Para o verdadeiro poder tanto faz a hilária Hillary quanto Donald, o pato manco fanfarrão.

Estão em curso novas eleições. Sempre estarão em curso novas eleições: sob a fantasia democrática, elas avalizam a manutenção do poder, mistificando as novas propostas para enganar outra vez os eleitores, como as apresentações de mágicos e malabaristas em praça pública apenas distraem os transeuntes e seus bolsos. As campanhas servem apenas para atrair tolos apostadores às mesas do mesmo cassino.

Renovação na política: os candidatos não são outros, não são diferentes. São os mesmos, apenas com outras faces e os mesmos falsos discursos. As regras eleitorais são viciadas, as candidaturas pouco cândidas, as eleições um jogo de cartas marcadas.

Os novos candidatos e os novíssimos colloridos Savonarolas, que virão depois desses, serão as novas faces do antigo, travestidos de falsa renovação.

Ninguém entende, ninguém sabe explicar como se chegou a tal ponto: “é o desencanto, estúpido!” dirá agora o cientista político.

Cálicles, em Górgias de Platão, justifica a teoria da força: ao forte, a natureza dá o poder de exercer tal atributo, assim como o fraco tem direito de viver a sua fraqueza. Assim, o poder por vezes permitirá a eleição do mais fraco, aquele que poderá mais facilmente ser tutelado ou apeado ao chão. A vitória, lembra Hobbes no Leviathan, não é a conquista, é a obediência.

Os bispos já caíram. Falta agora cair o rei. Mas o rei não cai nunca porque a soberania do capo di tutti i capi é impessoal, está além da pessoa.

Lembrando Heráclito: “Para os despertos (poderia ter dito os espertos), há um mundo único e comum; entre os adormecidos, porém, cada um se dirige ao seu próprio mundo”.

Como se diz na roça: o povo já se dará bem se conseguir escapar da mijada da mula.

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