Até que enfim


Acabou. Pois é finalmente o povo respira aliviado e livre de ter que assistir e participar de mais uma campanha eleitoral por todo o país. Xô segundo turno, muito afirmam. E não é que dá mesmo um alívio, até para nós jornalistas que temos que participar cotidianamente dessa farsa burlesca que se tornou a atividade política no Brasil. Aliás, só aqui não, no chamado mundo civilizado o nível das campanhas decaiu também. É só analisar a campanha presidencial nos Estados Unidos da América do Norte. O povo americano, cá como nós, não merece aqueles dois que se apresentam para ocupar a Casa Branca nos próximos quatro anos. É denúncia para todos os lados, tanto da parte de Donald Trump como do lado de Hilary Clinton. Bom, mas como diz o ditado popular, eles que são brancos que se entendam. Aqui por nossa terrinha, o Rio de Janeiro, tivemos a vitória do Bispo Marcelo Crivella, do PRB, sobre o outro Marcelo, o Freixo, do PSOL. Já era de se esperar, pelo que anunciavam as trombetas apocalípticas das pesquisas. Mas, o grande recado dado pelo povo do Rio foi o de que não estava decidido a votar em nenhum dos dois, o cardápio não era palatável para grande parte dos cariocas. Tanto que o total dos votos de cada um dos Marcelos foi inferior à soma dos votos brancos, nulos e abstenções, que atingiu a marca de mais de dois milhões de sufrágios. Aqui por Niterói se deu a mesma coisa, como já anunciavam as pesquisas. Rodrigo Neves, do PV, se reelegeu com mais de 130 mil votos, mas a soma de brancos, nulos e abstenções também foi superior à sua votação, atingindo o total de mais de 148 mil votos. O caso de Nikiti, como denominam a cidade os mais íntimos com com ela, foi um pouco diferente dos Rio, pois, os niteroienses não tinham lá muita ojeriza aos dois jovens pretendentes ao cargo de alcaide, mas a decepção com a atual situação política do país falou mais alto. Mesmo reconhecendo a boa administração de Rodrigo Neves nos últimos quatro anos à frente da municipalidade, muitos preferiram não votar nele baseados nas denúncias de seu opositor Felipe Peixoto, do PSB, de que ele estaria envolvido na Lava Jato. Se são verdadeiras só o tempo dirá, já que o prefeito nega de pés juntos qualquer participação em falcatruas desse gênero. Já Felipe teve contra si a pecha de ser inexperiente em gestão pública e de mal administrador, principalmente no que diz respeito a sua atuação na secretaria estadual de saúde. Seus opositores diziam que se a saúde do Rio de Janeiro ia mal, Felipe foi seu coveiro. Portanto, a população deu o seu recado, não só aqui no Rio de Janeiro, mas em todo o território nacional. A população está cansada desses políticos tradicionais, dessa política rasteira que beneficia só alguns poucos e não o povo em sua totalidade. Esperemos que daí venham novos tempos, surjam novas lideranças comprometidas, realmente, com o bem comum. “É possível enganar todo o povo por um tempo, é possível enganar parte do povo todo tempo, mas é impossivel enganar todo o povo todo tempo”. (Abrahan Lincoln).