Alvissareiros dias parados

A melhor novidade para os brasileiros nesses últimos dias passou meio batida, pelo menos entre os cariocas, que viviam entre a cruz e a espada eleitoral, em tempos de tiros cruzados de balas de grosso calibre. 

A notícia, que beiraria o absurdo se não estivéssemos no Brasil, vem do Supremo. Em última instância, com direito a súmula vinculante para conter os generosos tapetões trabalhistas, o Tribunal determinou o desconto dos dias parados nas greves de funcionários públicos, já classificada como férias por Lula nos tempos que o discurso lhe interessava. 

Mesmo com a pulga atrás da orelha, fruto da desconfiança de que vão burlar a medida por meio da adoção de operações-padrão ou vistas grossas dos supervisores e companheiros lotados em cargos de direção, não creio que o minúsculo inseto saltitante sairá da campana na retaguarda do pavilhão auricular para chupar o meu sangue em todas as oportunidades, parasita que é. Parasita é a mencionada pulga metafórica, que fique claro!  

Portanto, a decisão, tomada na Suprema Corte por maioria de 7 a 4, foi um categórico 7 a 1 na turma de 171 que vive à custa de fazer inchar o corpo do estado. Inegavelmente, trata-se de um bom começo para o fim das intermináveis paralisações das repartições públicas, receita federal para melhorar o atendimento aos compulsórios contribuintes.

Melhor ainda, talvez represente a maior revolução nas universidades públicas federais e estaduais, assim como no funcionamento das escolas secundárias, cujas responsabilidades recaem sobre os governos estaduais, a exemplo das polícias militares, o que constitui um perigoso organograma. 

De resto, o primeiro grande benefício para a sociedade será o imediato enfraquecimento dos sindicatos de servidores, especialmente o de professores, pois a greve sem consequências financeiras era uma arma fácil de ser manuseada, infalível para o controle das assembleias permanentes; permanentemente remuneradas. Isso porque o único movimento compreendido e empreendido pelos sindicalistas do ramo, eternos postulantes a cargos legislativos, prejudica o aluno, os pais, os avós, o trânsito, a segurança, as férias escolares, a rede hoteleira e o país. Sem o valor descontado dos companheiros das incontáveis sessões plenárias, o primeiro degrau rumo às câmaras municipais será mais difícil de galgar. 

Por fim, se os professores secundaristas e universitários incentivam tanto que os alunos ocupem as escolas, deviam fazer o mesmo nas salas de aula. Ou não, desde que não tenhamos de pagar por suas férias coletivas em pleno ano letivo. Eventuais reclamações sobre a classificação do período de descanso remunerado deverão ser enviadas para São Bernardo, Guarujá, Atibaia ou Curitiba, aos cuidados do amigo de ocasião. 

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