Onde está o Cabral?

15/11/2016

Mesmo que não fosse minha ideia a iniciativa de explorar comercialmente o produto em falta pela rede, em última análise o próprio lastro da lei da oferta e da procura, confesso que tenho medo de ser processado pela empresa detentora dos direitos sobre o passatempo “onde está Wally”, razão pela qual recorri às palavras em vez das tradicionais imagens do personagem escondido ou camuflado pelo mundo afora. 

Afinal, o paradeiro de um concorrente de peso, ora abrigado em sua modesta casinha em Mangaratiba, ora senhor dos anéis em Monte Carlo; ora cercado de eleitores da melhor idade em Copacabana, ora na roda de velhos companheiros em Paris; ora motivo de ocupação no Leblon, ora deixando a bola de Lula entrar nas obras padrão FIFA do Maracanã poderia causar expressivos prejuízos ao moleque sumido na multidão. 

Para que os consultores jurídicos da editora não se criem sobre este pobre “sem advogado”, creio que as estampas de um e outro deveriam ser claramente distintas. Para tanto, peço que vocês alterem um pouco a imagem-alvo. Para começar a brincadeira cívica de procurar Cabral, coloquem no político escafedido lentes de contato em vez dos óculos redondos de aros escuros. A calça jeans azul deve adquirir o tom furta-cor marinho Angra dos Reis, próximo do verde e fiel ao furto, com o cuidado de o matiz não escapar para o Maricá, mais próximo do marrom, segundo aliado boquirroto e fanfarrão em iminente fuga para Nova York.

Também em nome da prudência, seria de bom alvitre a troca do suéter básico de mangas compridas, com listras horizontais alvirrubras. Para não cansar o usuário, bem como não sobrecarregar o aplicativo ou o software destinado à mudança do colorido da vestimenta básica, o preto, símbolo do luto pela perda da liderança política estadual, substituiria o chamativo tom encarnado. 

Destarte, para fugir do Bangu AC, mas não do homônimo complexo penitenciário, a vestimenta-padrão seria mais parecida com o uniforme de inverno do Campo Grande, também uma agremiação da Zona Oeste, glorioso clube que revelou Dadá Maravilha, o Peito de Aço, atacante que parava no ar como os beija-flores e os helicópteros, inclusive as aeronaves sociais, que jamais deixaram de servir às babás da prole do personagem a ser procurado.  

Já na cabeça, em vez da habitual touca com pompom vermelho, eu sugeriria um imaculado guardanapo de linho egípcio branco, adaptado para bandana pirata ou à moda sheik do petróleo em águas profundas, dependendo do grau de dificuldade do consagrado teste de acuidade visual. Divirtam-se, caros leitores. Especialmente se vocês não são intocáveis servidores privilegiados dos três poderes, multibeneficiários do estado falido. Portanto, onde está Cabral?

Já Lula e Renan, todos sabem onde eles estão. Nem precisa procurar. 

Please reload