14 de julho é hoje

17/11/2016

Nenhum de nós esteve lá, mas essa imagem da mulher comum, à frente do povo, inunda e transborda nossa mente como um símbolo da sempre sonhada vitória dos oprimidos sobre os opressores. Impossível de ver sem ouvir os acordes da Marseillaise: O dia da glória chegou… sem sentir eriçados os pelos da nuca.

Assim como foi símbolo máximo do despotismo o reinado de Luis XVI e sua ingênua Marie Antoniette.

Lá, costuma se dizer, a gota d’água foi a insensibilidade da monarca, que desconhecia a fome nas ruas e teria se espantado com a falta de brioches para substituir os pães.

Aqui é difícil dizer.

Tamanha ignomínia (degradação social, vergonha, para poupar a ida ao dicionário) não nos permite dizer por onde entornou o caldo. Talvez, ainda, nos famosos 20 centavos. No inominável 7 x 1; nas desdobras da Lava Jato; na falência do Eldorado Rio de Janeiro, sede da Copa e das Olimpíadas.

Sem dúvida, tem peso extra o escárnio da “gang do guardanapo”.

Ironicamente desnudada pelo preso de ontem.

Há muito que se desenha o ponto de ebulição. Basta lembrar das pessoas acampadas à porta do então governador Sérgio Cabral. Ou da recentíssima (e estranha) invasão da Camara, com chamamentos à ordem militar… 

Talvez até tenhamos passado do famoso “ponto de não retorno”, a saber com o desenrolar dos acontecimentos.

Mas, certamente, as prisões de Garotinho ontem, e Cabral, hoje, ajudam a serenar os ânimos.

São um alívio para quem se cansou de tanta impunidade, de tanta desfaçatez, de tantas manobras e protelações.

Que esses ventos soprem por Minas e contagie seus deputados.

Que areje os corredores do Supremo e ventile as centenas de processos emperrados e travados em gavetas soturnas, sob mantas de compadrio.

Nada justifica, Senhor Michel Temer, a impunidade de um político que tenha atravessado o Rubicão da moralidade, seja ele Lula ou Mahatma Gandhi. Me admira que em duas aulas de Direito o Sr. não tenha dito aos seus alunos que “dura lex, sed lex”.

Melhor a justiça do que os justiçamentos, porque depois que esse estopim acende, só se volta à normalidade sob o comando de loucos, como Robespierre, Lenin e Hitler - que o digam Danton, Emiliano Zapata e Trotsky, por exemplo, que pagaram com a vida por sua “ingenuidade”.

Eu acredito que nosso 14 de julho chegou.

E também acredito que daqui até o natal, esses ventos vão nos trazer de presente e embrulhados, os faltantes graúdos…

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