Privada Privê x Privex


Modéstia à parte, escrevo sobre a privada polonesa Xime, a eleita de Adriana, com algum conhecimento de causa, e não por ter passado pelo corredor polonês à procura da primeira à esquerda em tempos de bullying juvenil escatológico, quando ainda não havia na praça a saudável política de gênero. Ocorreu simplesmente porque meu trabalho de final do MBA de marketing, aprovado com louvor há quase 20 anos, tinha como foco a linha VIP de forros descartáveis para assentos de privada, que batizei de Privex.

Tratava-se, na verdade, da forração expressa do assento por meio de papel esterilizado e impermeável, pela via de um mecanismo acionado por ar comprimido. O conjunto era destinado aos banheiros públicos femininos de palácios, museus, ministérios, secretarias, empresas estatais, sedes de grandes empreiteiras e aeroportos pré-ascensão (e queda) da classe média.

Portanto, Privex tinha como alvo preferencial o público feminino entre 25 e 55 anos. Não por acaso, o lançamento do produto seria feito em show do então pop star James Taylor, já que a campanha de rádio e tevê teria como trilha o sucesso dos anos 70 You’ve got a friend. E que amigo para as horas de aperto!

Não por acaso chamada de Riqueza por seu marido, Adriana, cujo baú foi crescendo pelas mãos e pezões do amado golpista, tornou-se ícone do target. Pela conjuntura atual, creio que a ex-primeira dama fluminense needs a helping hand; seja para apoio à visita íntima ao esposo presidiário em Bangu 8, seja para compor, com a devida antecedência, as instalações do vizinho Talavera Bruce, evidentemente na ala destinada às mulheres com nível superior.

Consideradas as dificuldades passadas pelo Estado do Rio de Janeiro e, particularmente, aquelas vividas desde sempre pelo departamento que cuida do sistema penitenciário, cujas demandas não têm fim, comprometo-me a analisar uma proposta para adaptação do produto à realidade imposta pelo pacote em discussão na Alerj, bem como para sugerir alternativas que possam amenizar o desconforto gerado pela inviabilidade da instalação da polonesa Xime em tórridas terras banguenses.

Na impossibilidade de acionamento das três temperaturas para a água, a menos que se considerem as verificadas nas bem definidas estações, e não as de trem mais próximas, teríamos a versão sem água, balde ou chuveirinho coletivo, também conhecido como Lava-jato.

As duas últimas são infalíveis para as necessidades fisiológicas de número 1. Já para o número seguinte, a depender da modalidade, bolinha, charutinho ou tolete, convém aprofundar as condições do local. É sempre recomendável a fiscalização do espelho d’água. É lá que estará a prova Cabral e irrefutável da densidade do material, submerso ou sobrenadante, conforme o menu; coloração clara ou escura, de acordo com a harmonização do cardápio. Para completar a toalete, jornal light, Segundo Caderno, pois guardanapos de linho lembram cagadas homéricas em Paris.