Iphan, o Terrível

Faltou combinar com os russos a passagem de um parecer límpido do Iphan para as hostes da AGU, mas o fato é que o produto das civilizadas ponderações do czar das estepes baianas já faz tremer o Planalto. O obstáculo interposto pelo patrimônio histórico nacional ao patrimônio imobiliário panorâmico do negociador palaciano revelou-se terrível. 

La Vue, A Vista, na língua das melhores tradições do Itamaraty, foi uma construção adquirida a prazo, com suaves prestações de serviço de advocacia administrativa e ríspidas intermediárias eventuais, sobretudo no “habite-se” a Esplanada e nas chaves de galão. 

Talvez venha daí a sugestão presidencial da entrada em campo da AGU, posto que a mencionada advocacia deve compreender o ramo Geral da União. De outra feita seria um serviço Parcial. E a parcialidade jamais esteve entre as características do chefe comum aos litigantes, verdadeiro algodão entre cristais. Não por outra razão usa e abusa da mesóclise, sempre preocupado em se colocar entre o vigor do verbo e suas diversas terminações. 

Alexandre Parola, o porta-voz da parolagem oficial, mais um tiro certeiro nos ficcionistas que buscam verossimilhança para seus textos, afirmou que o presidente agiu pela “construção de uma saída”. A expressão serve tanto a um túnel na Papuda como para a obtenção de passaporte diplomático, mas foi a recomendação de Temer à reiterada reclamação de Calero. 

A derradeira denúncia, segundo bastidores de Brasília, foi acompanhada de um gravador ligado, à moda família Cerveró. Munido de um simples smartphone, grampeá-lo-ia. Decerto por que o ministro demissionário tenha estranhado a ausência de qualquer contencioso na questão, mera questão de gabarito, não do ministro, evidentemente, mas do prédio em construção, sem saída. 

“Quando o Sol se põe vem o Farol / iluminar as águas da Bahia”. Mas quem olhará pelo cartão postal baiano se, como tudo indica, o terrível Iphan vai tombar o articulador político do governo sem misericórdia? Se não de cima, do trigésimo andar do edifício, ou do gabinete no Planalto, seu olho poderá voltar a piscar. In loco, sem foro, sem brilho, como um farol apagado. Já deu, Geddel.

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