Acredite se quiser

Jack Palance, o apresentador do programa que reunia fatos inusitados e inacreditáveis pelo mundo afora, pensaria duas vezes antes de gravar a edição estrelada pelo trio de presidentes no Palácio do Planalto no último fim de semana. Sim, em pleno domingo, o paulista, o alagoano e o carioca nascido no Chile deram as caras, todas de pau, a pique por sinal, para uma entrevista coletiva em Brasília. Acredite se quiser. 

Cumpre destacar que a aberração em si não ocorreu por causa do triplo weekend presidencial, haja vista os jantares dominicais que têm sido oferecidos pelo presidente em nome da aprovação em dois turnos da emenda 241 na Câmara, matéria que recebeu o número de 55 ao chegar ao Senado, mas pelo conteúdo jaboticabal da coletiva. 

Como se sabe, jaboticaba é a única coisa boa e doce que só existe em nosso país. Já os brasileiríssimos contrabandos embarcados em medidas provisórias e projetos de lei encaminhados ao plenário mais parecem os penduricalhos criminosos comprados em dinheiro vivo nas joalherias incentivadas por João Cabra. Tudo para enfeitar orelhas, pescoço, braços, pulsos e colo da sua rica Lourdinha. Já os tornozelos deverão ser cobertos por brindes exclusivos provenientes do pós-venda de ambas as lojas.  

Talvez o codinome da ex-primeira-dama nos registros privados das concorrentes H Stern e Antônio Bernardo seja oriundo da inseparável metralhadora de Tenório Cavalcanti, popular político fluminense nos anos 60, porém a origem da adoção do objeto de intimidação repetitiva de grosso calibre como destino do tesouro não passa de especulação. 

Os preciosos acessórios cabrais, ou caprinos, melhor dizendo, costumavam custar uma fortuna aos não sócios da empreitada, que eram obrigados a pagar joias, como em todos os clubes, para terem acesso ao butim dos contratos que orbitavam a esfera governamental.

Pois, voltando ao assunto, os três patetas vieram a público dizer que não deixarão que os parlamentares deturpem as 10 medidas do projeto de combate à corrupção. Moe, Larry e Curly, este em plena campanha pela controversa reeleição pelos pares, garantiram que não deixarão passar, se possível, a vergonhosa anistia ampla, geral e irrestrita ao caixa 2, caixa candidato a pandora pela quantidade de maldades correlatas a reboque da abertura. 

Data vênia, cabe atenção ao aposto explicativo proferido en passant pelo chefe do executivo. Entre vírgulas distraídas, deixou o principal de fora, ainda que por dentro da mensagem que lograram passar aos jornalistas. Em outras palavras, não permitirão que seus aliados contra a lista de natal da Odebrecht calem o clamor das ruas. Isso como a propalada sanção presidencial não pudesse ser derrubada com um peteleco de líderes; como se existissem ruas nas superquadras, lagos e eixos monumentais de Brasília.  

O fato é que Jack Palance, falecido há 10 anos, há de voltar ao programa para apresentar a vitória tripla de Temer, Renan e Maia contra os contrabandistas de emendas. Acredite se quiser. 

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