Um assunto banal inaugura o Governo Temeroso

Um assunto de terceira pequeneza – o teto com vista para o mar para quem já vive acima do teto – expõe a fragilidade da república, pondo atrás da mesa dois poderes que se julgava estarem trabalhando pela salvação nacional.

Os nervos estão à flor da pele pela falta de apoio popular, pela ameaça da delação de uma centena de políticos, gestada em 9 meses de negociação, e pela dificuldade de serem superados os problemas para os quais as soluções estariam na travessia da ponte para o futuro.

Já não se fala de ponte; já se fala de pinguela. A travessia agora é mais temerária, digamos assim. 

Data vênia, o buraco é mais embaixo: uma solução boa para todos – gravada em telefonemas indignos – acaba por não ser boa para ninguém. O tema trivial virou assunto de segurança nacional entre virtuosos conselheiros que deixariam ruborizado Francisco Gomes da Silva, o Chalaça. No tempo do Itamar, corria a anedota do “Itamar e do itapior”. Hoje se sabe, pode piorar.

Anda circulando, trazido pelo diplomata André Heráclio do Rego, o breviário do pernambucano Francisco Heráclio do Rego. Coronel do Limoeiro, de pouca ilustração, nunca sonhou com a Academia.

Alguns provérbios seriam de boa leitura para esses tempos difíceis e expostos em que “se está sofrendo que só pé de cego em caminho novo”.

“Quem muito se abaixa, o rabo se lhe vê”.

“Quem com muitas pedras bole, uma lhe cai à cabeça”.

“O dia do benefício é a véspera da ingratidão”. 

“De gaviões não nascem pombos”.

“Político é como feijão nágua: só sobem os podres”. 

“Até para ser doido, é preciso ter juízo”.

“Para fechar um convento, basta uma freira ruim”. 

“Quem não pode com o pote, não pega na rodilha”.

“Desculpa de vaqueiro ruim é o cavalo não prestar”.

“O pior pecado é o do escândalo”.

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