Marias Loucas

Maria Francisca Isabel Josefa Antônia Gertrudes Ana Rita de Bourbon e Bragança, ou Maria I, rainha de Portugal, recebeu o epíteto de louca, adjetivo que a corte lusitana não tardaria a incorporar, em substituição ao tradicional ordinal feminino. 

Dizem os historiadores que sua instabilidade emocional decorria de histeria, lastreada em terríveis remorsos filiais oriundos da perseguição de seu pai, Rei José I, aos jesuítas, em ação empreendida pelo Marquês de Pombal, talvez a origem de sua temível pomba gira. O temor de que o inferno tivesse se tornado a eterna morada de seu genitor, pelo herético patrocínio à expulsão da ordem religiosa de Portugal, marcou boa parte de seu reinado.  

Já o bolivariano Roberto Maria Francisca Isabel Josefa Antônia Gertrudes Ana Rita de Bourbon e Bragança Requião, também Maria Louca para os súditos paranaenses, recebeu a alcunha devido à semelhança de sintomas e atitudes com a enlouquecida soberana. 

Segundo alguns autores, os acessos de loucura tornaram-se bastante acentuados depois que o monarca paranaense passou a consumir brioches de mamona em seu petit déjeuner em substituição ao pão de alfafa. A napoleônica figura seguira o conselho de Maria Antonieta, que também perderia a cabeça pouco tempo depois. Não sem antes recomendar a iguaria forrageira a todas as cavalgaduras porventura conduzidas a passo pelas principais artérias do país. 

Talvez pelo efeito energético da alfafa, o castigo da justiça, sabidamente a cavalo, recusou o tradicional pangaré manco ao chicotear a montaria em desabalado e monocrático galope liminar. O conjunto probatório não demorou a atropelar o aliado do reino das Alagoas, para quem Requião segurava as rédeas do poder absoluto e desabusado.  

Há ainda a versão de que o pseudônimo Maria Louca tenha origem na aguardente artesanal preparada nas masmorras onde Tiradentes foi encarcerado enquanto aguardava a forca ou o monárquico perdão de Maria I. Por deixar ensandecido quem prova da beberagem, tomada em sessões de adoração ao libertador Bolívar, comandadas por Chávez, ora um passarinho no pombal de José I, Requião passou de usuário eventual a viciado após estreita convivência com Dilma, Cristina K, Evo Morales, Correa e Maduro, este o sacerdote da vez, todos ocupados com a nova descida de Fidel, não mais para Havana a partir de Sierra Maestra. 

Enquanto Maria Louca briga com a justiça terrena, Lula, o principal interessado na vitória de seu relatório, passaporte na mão, deixou o país em busca do passado, tudo regado a rum, charutos e discursos. Quando muito, ajoelhado, vai ter que chamar o Raul, pois não é louco como as Marias.

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