Bullying de coalizão

Jucá, Caju na lista da Odebrecht, considerado pela gigantesca empreiteira o resolvedor geral da república, dessa vez pode embaralhar tudo e frustrar o generoso epíteto. Sentindo-se intimidado pelo vazamento da primeira fornada preparada pela mãe de todas as delações, ameaçou retomar as negociações da anistia à corrupção, medidas travestidas de combate ao institucionalizado flagelo nacional. 

De Jucá para Caju, basta a repetição das sílabas Ca-ju-ca-ju-ca, indefinidamente, sem o acento agudo. Ou mesmo o assento na mesa diretora da desobediência ao Supremo. Portanto, ajudada pela fonética, o enigma necessário ao controle interno das Casas e dos Palácios, continuamente alimentado pelo Setor de Operações Estruturadas, seria facilmente decifrado por qualquer criança perspicaz. Como Jucá tem se repetido eternamente como líder no senado, mais um motivo para alarme no Legislativo e no Executivo, especialidades da construtora, ora em premiada e pranteada catarse coletiva.  

Ao apresentar o mais banal dos anagramas para identificar uma importante célula da clandestina planilha contábil, o algoz responsável pelos apelidos revelou-se duplamente displicente. A falta foi detectada tanto pela vertente do necessário sigilo, quanto pelo prisma do bullying de coalizão em si; este, em temos gerais, uma sistemática brincadeira de mau gosto a que os governos eram submetidos pela maior doadora de campanhas eleitorais do País. 

Para ficar no fértil terreno dos anagramas, não tão intrincados como os vocábulos diáspora e rapsódia, mas sem a característica elementar da fruta polpuda, rica em vitamina C e abastada em Roraima, um senador cooptado poderia ser batido no liquidificador das letras até virar desonra.  

Politicamente incorreta com os pobres políticos incorretos, a empresa baiana há de se ver com a paladina dos direitos humanos Maria do Rosário. A parlamentar gaúcha recomendaria punição exemplar ao metido a engraçadinho, porém sem perder a ternura jamais.  

Isso porque tem Boca Mole, Feia, Feio e até Todo Feio, mesmo sendo este Leitão de batismo, janela ou gamela para alimentar porco, suíno ou presunto, talvez não por significar defunto. Mas tem Bitelo, irmão do Babel, que já era torre antes da queda do Geddel. 

Se tem Decrépito, também tem velhinho. Como faz tempo a alcunha, a dica é que é vice no estado do Cunha, que na planilha é Caranguejo – onde estás que não te vejo? Cabral, Proximus, conseguiu te ver, e que o próximo seja o Amigo. Ou a Amiga - será que foi assim que ela quis?

O fato é que o Botafogo, genro do Moreira, ganhou uma merreca, mas agora estaria disputando lá em cima da tabela. Há dez anos, glorioso era o pai. Sem essa de dar a César o que é de César pois há três anos já mandava o sogro que, coitado, chora como um bebê por ser chamado de Angorá e Primo. Portanto, o bebê chorão repudia a confusão com primo rico Padilha, homônimo do personagem do consagrado bordão “vai pra casa”, mas que comanda a cozinha na Civil. Isso quando quem deveria ir pra casa era o Chefe, de fino trato e paladar refinado. A despeito da pinguela, conduzi-lo-ão sem recuo ao recato do lar pela ponte do TSE. 

Já o Índio, virtual sucessor de Renan XII, o humilde e profético Justiça, faz jus ao programa que há de enfrentar no biênio 2017/18. Melhor fará o Nervosinho que, calmamente, vai encarar o marasmo que é Nova York. Talvez o Projeto Kassab embarque na mesma parada, pelo colossal sucesso em São Paulo.

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