Embaça aí

Sai o temerário Temer e entra o embaraçado Imbassahy, aquele desnomeado pelo temeroso governo dos recuos antes mesmo de a nomeação avançar.

Acabou o breve desgoverno, morreu a frágil esperança. Perdeu, Michel: a casa caiu. O governo, que parecia perdido, agora parece estar foragido, acuado.

Vergonha, vergonha, vergonha! Os acusados, cínicos em uníssono, repudiam as acusações com veemência. Desconhecem. Dizem-se “tranquilos”. Os que ganharam relógios se defendem, justificando que nem ao menos os usaram. Não como o casal do Rio, que trocou anéis e braceletes de brilhantes por algemas à Bangu.

Vou apertar, mas não vou acender agora, diria o sambista Bezerra da Silva. Malandragem dá um tempo...

O Planalto dos espertos acadêmicos monta nova estratégia de escola primária: derrubar a nova delação no tapetão como se não soubesse que outras dezenas virão de outros executivos e de outras empreiteiras a confirmar a podridão.

Essa foi apenas a delação do círculo parlamentar, dos chantagistas que eram remunerados para emperrar ou fazer andar pleitos não republicanos no Poder Legislativo. Faltam as delações do círculo dos governos estaduais e municipais, dos operadores de leilões, dos irresponsáveis pelas medições dos contratos, dos irresponsáveis pela fiscalização das medições dos contratos, dos que apressavam os pagamentos, dos que atrasavam pagamentos, dos advogados e suas chicanas, dos promotores, dos juízes, dos jornalistas contratados para animar as reuniões executivas das empresas envolvidas, dos listados nas gordas listas de Papai Noel das empreiteiras...

Vem pela frente (ou por detrás, a depender do tamanho da coisa) muita distração, muita diversão, muito divertimento. É preciso não perder o foco. Não permitir que nova delação, ainda mais grave, faça esquecer a primeira. Esperemos que não faltem vagas nas cadeias. Não é preciso ser guru: no meio dessa enorme crise, a franquia de tornozeleiras deverá ser “o” negócio de 2017.  

Está enterrada a república dos hipócritas, daquelas mãos impuras que apontavam todo o tempo os dedos da culpa para os outros. Dos tentáculos que alcançavam todos os negócios (ou ainda alcançam?), das cobras rastejantes, das bocas moles de duras mandíbulas, insaciáveis em seus apetites vorazes. 

Todo feio, tudo feio, muito feio.

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