Minha receita de Natal e Ano Novo

12/12/2016

Estou longe de ser um depressivo. Mas, pelo andar da carruagem, está na hora de alguém propor um plano para salvar o governo, a economia, o congresso e, de quebra, o Natal de 2016.

Nunca vi um natal tão xoxo quanto este.

Aquele climão de vamos que vamos, das festinhas nos escritórios e repartições, mensagens coloridas na internet e dos restaurantes cheios, sumiu.

Nem as infalíveis listinhas de porteiros, bombeiros e outros oportunistas de fim de ano estão se apresentando com aquela audácia tradicional.

O Bradesco aproveitou o vendaval de 2015 (que não só quebrou a estrutura da árvore, mas secou as verbas de renúncia fiscal que embalavam o seu presente à cidade), e cancelou a atração que engarrafava a zona sul do Rio, e lotava a Lagoa Rodrigo de Freitas na maior romaria kitsch do sudeste brasileiro.

A quebradeira de lojas e o desemprego secaram as listinhas de amigos ocultos (cá no Rio) e secretos (lá em Sampa).

Difícil dizer que tenha uma causa direta. São muitas…

Descemos a ladeira como bêbados: aos trambulhões. Desacreditamos de alguns políticos e dos seus partidos. Logo depois, da grande maioria dos políticos. Em seguida, do legislativo como um todo.

Salvava-nos a certeza de que o Brasil é maior que tudo isso, que as instituições são saudáveis…

Ledo engano.

Episódios como esses que assistimos nos últimos dias, envolvendo Senado, STF, delações da Odebrecht…

O mundo crescendo, tocando a vida, e nós brasileiros batendo recorde sobre recorde de patifarias e más notícias: três anos de recessão, juros estratosféricos, estados falidos, desemprego, educação péssima, empresas com o congresso inteiro na folha de pagamento…

Pois aqui vai a minha sugestão para mudarmos tudo e termos um grande, feliz e colorido Natal ainda este ano.

Proponho que os bancos - como sempre alheios às crises, calados e flutuando muito acima da escuma dos afogados - comprem com desconto, na indústria farmacêutica (outro setor imune à dor de cabeça econômica e à ressaca política), um grande lote de Prozac e outros antidepressivos de igual eficácia.

Ato contínuo, aproveitem que o estado está acéfalo, as polícias trôpegas e sem rumo, e façam como o famoso Timothy Learry, inventor do LSD, que queria colocar seu invento na caixa d’água de Los Angeles: joguem tudo nas adutoras. Façam jorrar Prozac pelas torneiras.

Este será o natal do século!

E para evitar a ressaca do ano novo, fica a deixa para planejar o Carnaval. Vamos aproveitar que o povo já vai estar fodido mesmo, e trocar o Prozac por Ecstasy…

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