Suprema ironia

Se o presente artigo contém hermetismos, a culpa não é minha, vou logo adiantando. Confesso que tenho abusado vez ou outra desse pecado venial da escrita, charada inserida no texto que, não raro, pune intencionalmente a mensagem, por mais atento e sagaz que seja o leitor. 

Esse exercício beira o sadomasoquismo na comunicação, pois, do lado de cá, o sofrimento do autor se dá com o abandono das linhas restantes, quando não a inexorável deserção do conjunto, de dificílima arregimentação em tempos de inesgotável fartura editorial. 

Portanto, não sou santo. Aliás, o Santo, no caso da delação da Odebrecht, pano de fundo que cobre esta coluna, seria o governador paulista, talvez pela ligação do tucano com a Opus Dei, obra de Deus em Latim, alcunha derivada de obras nada pias, mais condizentes com as ações preferenciais do Ordinário das trevas. 

Se Geddel é a Babel sem sua torre baiana até o céu, Serra e a namoradeira motosserra já frequentam a mesma delação, confirmando o ditado latino que sustenta a observação “in vino veritas’. Não mais derramado em público escândalo na galante gravata adversária, ambos hão de discutir a relação conforme a tradição de negativas, repúdios ou rechaços, a gosto do indignado freguês, mas com réplicas invariavelmente veementes.

Atravessando a praça, mas não o ritmo, promessas de processos em contundentes mesóclises. Isso para não comentar, logo ali do lado, a ficção de Os Maias, não a obra prima de Eça. Não, não essa do portuga Queiroz, mas o marco do gaúcho Marco, antecessor do ora escaldado Caranguejo, este acostumado andar de lado com as garras ameaçadoras, até fisgar com suas afiadas pautas bomba, sucedido de fato por um certo capitão Rodrigo, ora no Veríssimo comando da Câmara, depois de breve escala no órfão Maranhão.  

Em face do exposto, se tais hermetismos afloraram aqui e ali, pelo menos desta vez, a justiça estará ao meu lado. Todavia, não o Justiça, precedido de artigo masculino singular, com raízes implantadas no couro capilar, profético codinome do atual chefe dos 3 Poderes. 

Renan XII, o Humilde, o plenipotenciário monarca constitucional, constituiu a suprema ironia da delação que há de abalar Bangu, Curitiba e outros destinos menos votados. Ou mesmo os não votados, como os senadores suplentes, também arrolados e enrolados, apesar de suas veementes negativas.

A despeito da multiplicidade de reações, todas são lastreadas no princípio republicano de que receberam doações legais, declaradas ao TSE. Entretanto, saibam os atingidos que o texto tem registro, copyright by Partido dos Trabalhadores, 2014, com todos os direitos reservados.

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