Misericórdia!

Não, não é o apelido daquele deputado na planilha da contabilidade paralela. Entretanto, tal apelo dramático deveria ser feito pela Carta Capital aos seus minguados leitores, em razão da reportagem publicada no Globo de hoje. 

Meses atrás, as iludidas criaturas chegavam a brandir exemplares com Lula ou Dilma na capa para justificar uma denúncia leviana da concorrência maldita, cuja credibilidade despencara à custa de diversas acusações vãs ao PT. 

Não satisfeitos, escorados pelos jornalistas do bem, os fiéis à Carta citavam reportagens e até compartilhavam matérias compostas por progressistas não vendidos ao capital internacional. 

Reduto exclusivo do petismo na imprensa, símbolo do produto desejável pelos adeptos do controle social da mídia, os ingênuos do partido faziam propaganda da publicação na maior boa fé. 

Contudo, para tanto, estatais e empresas amigas faziam propaganda na publicação, sem fé nos resultados práticos da exposição de suas marcas. 

Certamente um apelido que chegara aos ouvidos da Odebrecht, construtora já useira e vezeira dos curiosos codinomes, no meio publicitário, Carta Capital era conhecida como Diário Oficial da União, ou pelo apelido DOU. 

Enquanto brilhou a estrela de cinco pontas nos céus de Brasília, seus espaços estrelaram os planos de mídia das estatais, ministérios e empresas públicas. E não raro era contemplada com um maiúsculo Projeto. Nada a ver com a alcunha do Kassab na Planilha vazada, mas com encartes especiais, a exemplo do citado na matéria do Globo. 

Eventos tais como Diálogos Capitais e Fórum Brasil, além das edições com destaques do ano em diversas áreas, eram patrocínios que justificavam os aportes, pagos em páginas publicitárias e editoriais que quase ninguém lia. 

Contudo, alguns poucos da rodinha ligada ao partido forneciam resumos aos blogs companheiros, os ditos progressistas, responsáveis por multiplicar a mensagem até a almejada viralização nas redes sociais. Pois essa era a função do DOU na engrenagem produtora de narrativas. 

Hoje sabemos que o profissional de mídia responsável por agenciar anúncios da Odebrecht no Diário Oficial nem era da Secretaria de Comunicação, mas da Fazenda. Tudo a ver com os rebanhos a quem as autoridades e editores deveriam pedir misericórdia por abusarem de sua infinita ingenuidade.

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