Aviso das ruas repercute

Depois de uma semana em que Renan Calheiros e Rodrigo Maia, Presidentes do Senado e da Câmara, compareceram ao lado de Michel Temer para, em rede nacional de rádio e televisão, justificarem suas posições perante a opinião pública, os dois parlamentares acabaram sendo avisados pelas ruas do Brasil que ambos evidenciaram um grande desgaste do Congresso Nacional, vez que, na verdade, estavam era apoiando o que a maioria dos parlamentares pretendiam, ou seja, acabar com a Operação Lava Jato, salvando a própria pele.

Apesar de serem detentores de vários mandatos parlamentares, tanto um como o outro acreditaram, dias antes, que tudo podem no comando da Câmara e do Senado, inclusive, peitar os manifestantes das ruas.

Já estão pagando caro por suas atitudes e, claro, seria bem melhor se tivessem ficado com as bocas fechadas.

O filho de Cesar Maia, que não goza de grandes simpatias, foi contestado pelos manifestantes e ficou mal no cargo. Complicou sua reeleição. Os dois Presidentes levaram o Congresso a transmitir à sociedade que a maioria das duas Casas Legislativas, queria sim, além de autoproteção e exacerbada vingança contra os responsáveis pela Lava Jato, também punir o MP e os investigadores que estão nos encalços de dezenas de políticos.

Após o clamor deste domingo, 4, os dois resolveram mudar de atitude e já se pronunciaram tentando “tapar o sol com a peneira”.

Renan, perdido, depois que passou a ser Réu no STF, em um parlamento de 81 Senadores, entregou uma das Relatorias, ao destemperado Senador Roberto Requião que já está “jogando conversa fora” desde o início das suas funções e, pior, a briga entre as famílias Calheiros e Mello, originária das Alagoas, prossegue na Capital da República.

O “jeitinho” encontrado para solucionar o último embate, certamente, deixará a instituição STF e Marco Aurélio Mello desgastadíssimos.

Lamentavelmente, grande parte dos deputados fluminenses, sobretudo, os de Niterói, Chico D'Angelo, Altineu Cortes e Soraya Santos, estão dentro dessa ideia de punir o MP.

Pelo movimento verificado no último domingo, já dá para prever o que acontecerá com esses três no próximo pleito de 2018 - já estão marcados por terem unido na perfeita fragilidade desse Congresso que mostrou-se sem condições de superar a crise política que estamos vivendo. Por que será?

Como estamos em tempo de tragédias, outra que o malandro “Coca-Cola” de Anchieta, subúrbio carioca, Presidente da ALERJ, Jorge Picciani, está armando e progredindo na armação, nessa de encaixar seu filho Rafael Picciani no comando geral da Casa Civil de Pezão. Como já dissemos antes, Jorge Picciani terá rapidamente o mesmo destino do seu parceiro Sergio Cabral. Pelo que parece, é isso que está procurando. Sua vez está chegando.

Lembrando Einstein: “Grandes espíritos sempre encontraram violenta oposição de mentes medíocres. A mente medíocre é incapaz de compreender o homem que se recusa a se curvar cegamente aos preconceitos convencionais e escolhe expressar suas opiniões com coragem e honestidade”. Ainda bem que os brasileiros tiveram a sorte, nesse momento crucial por que passamos, de sentir o comportamento firme desse jovem magistrado de Curitiba. Salve Moro! Salve todos nós! 

O problema não é a lama do sistema, é que o sistema é uma lama!   

Célio Junger Vidaurre é advogado e cronista político, publica seus artigos em 11 jornais diários e 16 semanários, do RJ.

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