Uma lenda de 100 anos

No último dia 9 de dezembro Kirk Douglas completou 100 anos de idade, sendo que 70 anos dedicado ao cinema.  Nascido em New York, filho de imigrantes judeus russos, essa verdadeira lenda da telona é o único sobrevivente de uma geração extraordinária de astros  que dominaram a cena entre os anos 50 e 70, entre os quais William Holden, Burt Lancaster, Gregory Peck, John Wayne, Charlton Heston, Jack Lemmon, Marlon Brando, Paul Newman, Gary Cooper, Clark Gable e tantos outros. Nenhum deles durou tanto quanto Douglas, o grande herói de queixo furado, o homem que se envolvia inteiramente na indústria não só como ator, mas também como produtor. Na sua extensa filmografia representou diversos tipos históricos.  Foi viking, foi Ulysses, foi Van Gogh e foi Spartacus.  Compôs o melhor Doc Holiday do cinema em “Sem lei e sem alma”, onde contracenava com Burt Lancaster, este no papel de Wyatt Earp.  

Kirk Douglas trabalhou com a nata dos realizadores da época. Com Kubrick, além de Spartacus, fez “Glória feita de sangue”,um dos mais importantes filmes antibelicistas da história do cinema. Denunciou o jornalismo oportunista e corrupto em “ A montanha dos sete abutres” com  a direção do mestre Billy Wilder. Trabalhou com Vincente Minelli em duas belas oportunidades, ambas revelando bastidores e intrigas da indústria cinematográfica. A primeira delas, “ Assim estava escrito” é uma obra prima e “ A cidade dos desiludidos” mostra com eficiência a superficialidade do mundo de ilusões da meca do cinema. Com Edward Dmytric fez o papel de um judeu alemão em “ O malabarista”, considerado um dos seus melhores trabalhos. Trabalhou para Kazan em “Movidos pelo ódio” e para William Wyler em “Chaga de fogo”.

Como a maioria dos atores com porte atlético nos anos 50 e 60, foi protagonista de inúmeros faroestes, entre os quais destacaríamos “Duelo de Titãs”, “ Homem sem rumo” e “ O ultimo por do sol”, além do já citado “ Sem lei e sem alma”. O clímax da sua carreira foi entre 1950 e 1970 .   E é importante acrescentar que foi com “Spartacus” que o centenário astro deu uma verdadeira guinada em sua carreira, há exatos 56 anos. Num épico deslumbrante com a direção precisa de Kubrick e recheado de grandes nomes ( Charles Laughton, Peter Ustinov, Laurence Oliver), Kirk brilha no seu trabalho de líder de um exército de escravos. Ficam aqui algumas dicas para quem quiser rever alguns trabalhos deste que pode ter sido o último dos durões.

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