De 1808 a 1889


Todo brasileiro deveria ler os excelentes livros 1808, 1822 e 1889 do jornalista Laurentino Gomes. Três obras primas. Todos deveriam tomar conhecimento do que o escritor nos apresenta nas páginas das três obras. Aliás, todo brasileiro deveria saber ler e escrever (não é ex-presidente Lula?), mas, infelizmente ainda somos um país de analfabetos, se não de analfabetos puros e simples, mas, com certeza, de analfabetos funcionais. Espero que dê tempo do atual presidente, Michel Temer incrementar novos programas educacionais para afastarmos de vez do nosso querido Brasil o fantasma do analfabetismo, e do atraso em relação aos chamados países do primeiro mundo. Ainda somos a velha “Belíndia”, uma mistura de Bélgica e de Índia, muita bem colocada pelo economista Edmar Bacha na década de 1970. No primeiro livro Laurentino Gomes nos dá uma mostra de “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”. A rainha louca era dona Maria I, mãe de Dom João VI, o chamado príncipe medroso, e a corte corrupta ainda está aí, hoje encastelada em Brasília e envolvida com os “Mensalões” e as “Lava Jato” do cotidiano. Aliás, hoje esses “cupins” se espalharam por todo o território brasileiro. No tempo do império essa corte corrupta estava muito bem instalada no Rio de Janeiro, antiga capital do Império. Mas é preciso que se faça justiça a Dom João VI. Com todos os seus defeitos, todos os seus medos, vacilações etc., foi ele que fez com que o Brasil desse um grande salto, quando fugiu de Portugal para cá, temendo o exército de Napoleão. Ele abriu os portos brasileiros às chamadas “nações amigas”; criou bibliotecas; universidades, enfim, implantou aqui tudo o que não tínhamos àquela época, já que éramos uma colônia de escravos e de índios, totalmente fechado ao mundo exterior. Era uma estratégia política de Portugal manter a sua maior e mais rica colônia afastada de tudo e de todos. Já no 1822 Laurentino nos dá uma idéia de “Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado”. O sábio era José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da independência; a princesa triste era Leopoldina e o escocês louco por dinheiro...Bem deixo o resto e o 1889 para vocês descobrirem quando tiverem a curiosidade de folhear os livros. “A função revolucionária da literatura não consiste em emitir mensagens revolucionárias, mas em levantar uma dúvida radical sobre o determinismo da história”. (Leyla Perrone-Moisés).