O Tempo que tudo devora

 

Enfim, dizem, 2016 chega ao fim, embora haja quem suspeite que vá se prolongar até 2018 ou 2028, que é quando se deverá encerrar todo esse imbróglio institucional e, afinal, a lerda Lava Jato terá bem condenado os corruptos que sabem o preço de tudo e o valor de nada.

Enfim, chega ao fim 2016, o ano de todas as mudanças e nenhuma.

O que era esperança virou medo, o que era medo, esperança e, de novo, medo.

A incerteza virou certeza e depois incerteza, outra vez. O que parecia solução já não serve: jogar-se-á ao lixo como sapato velho. Regredimos 10 anos em um ano.

O novo morre antes de nascer; o país envelhece antes do futuro: o futuro continuará no futuro distante.

O Brasil tinha pressa; agora têm pressa de acabar com o Brasil. Desmontam-se as conquistas, frustram-se os sonhos, cria-se o caos social, desestabilizando as famílias, para defender o equilíbrio fiscal. Na reforma da previdência, a mulher é um problema: vive muito. Quando se espera uma tesoura no tesouro, mais gastos, mais desperdícios, mais benesses para os mesmos grupos econômicos.

Os Estados falidos mostram sua força eleitoral como feudos paroquiais que enfrentam e derrubam castelos. É tudo cobra criada.

Na desesperançada expressão do cientista Rogério Arantes, trocamos o fim do terror pelo terror sem fim. Como se diz: antes de irem melhor, as coisas podem ir ainda muito pior.

Mesmo improvável, o impossível teima em repetir-se como provável possibilidade.

A nossa sorte é que essa cronologia que nos vem das luas e das marés é uma ficção que serve apenas para feitura de orçamentos, cobrança de juros dos bancos, compra de flores para amantes e para lembrar ao espelho que envelhecemos.

Como em Einstein, o futuro já aconteceu e o tempo é uma ilusão. O ontem é hoje, amanhã.

Cronos, o tempo que rege o destino, assumiu o poder supremo, aliando-se à mãe Gaia para destituir, a golpe de foice, o pai Urano. Temeroso de que lhe viesse acontecer algo parecido, passou a devorar cada um de seus filhos tão logo nasciam. Até que um – Zeus – sobreviveu e, com a ajuda de Prudência e de uma poção constitucional, fez Cronos vomitar os filhos que havia devorado e o prendeu com correntes no fundo do mar.

Mas esta é outra história.

Adeus Cronos.

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