PCC in Rio

 

Acostumados a várias linhas que se cortam, e não apenas às duas que se confundiam no diagrama exposto sobre as portas dos vagões, deve ter sido o metrô o responsável pela chegada do Primeiro Comando da Capital à Rocinha. Afinal, a corrida de táxi até lá é um roubo! E sabe-se que o inexperiente motorista de Uber guia-se pelo GPS, aplicativo que é um verdadeiro perigo em terras cariocas.

Portanto, os alemão (sem plural, como dois pastel) desembarcaram com a linha 4, mas os ortodoxos paulistas não entendem porque não podem (as)saltar na linha 3. Conhecedores das encrencas promovidas pelos colegas grã-finos responsáveis pelas obras do metrô paulistano, os recém-chegados desconfiam de que a terceira linha deve ter sido construída em alguma parada da hora, lapso de tempo necessário ao inexplicável desaparecimento das vigas gigantes da Perimetral.

O paradeiro ignorado da Linha 3 será investigado de acordo com as regras de intimidação dos micro-ondas artesanais de pneus recheados que, como se sabe, amolecem as massas. O importante é que da bela comunidade localizada no morro Dois Irmãos, em São Conrado, a instituição poderá expandir os seus negócios à beira-mar. Não confundir com o maiúsculo concorrente homônimo, pois a confusão pode ser fatal.

Se o carioca pode parar de temer por bolachas de esculacho, no máximo biscoitos vencidos, produtos de roubos de carga vendidos em biroscas, no sinal ou por ambulantes, os assaltos em faróis ou semáforos devem crescer barbaramente nas regiões dominadas pela entrante organização criminosa, que não se preocupou em registrar a marca fantasia em sua nova praça.     

Sim, porque, por estas bandas, onde os bandeirantes se limitavam ao Recreio, PCC já significou tratamento destacado ao craque Paulo Cezar Caju, que passou por Botafogo, Flamengo e Fluminense na era pré-Paris Saint-Germain.

Pouco mais tarde, as mesmas iniciais conferiram tal destaque a quem saberia substituí-lo com todas as honras. Se não no posicionamento em campo, no excepcional talento. O segundo PCC com registro carioca veio de um gaúcho de Erechim, comandante dentro e fora das 4 linhas: Carpegiani, nas versões virtuose ou maestro que derrotou não 4, mas 11 garotos de Liverpool.

Por nunca ter conhecido um comando desde que os índios Tamoios perderam Cunhambebe, quando ainda não era capital, talvez tenha sido a absoluta falta dessa característica de liderança que possibilitou a prolongada visita dos franceses, que não sairiam daqui à l’anglaise, como dizem na sofisticada Paris.

E não me refiro aos invasores que agora tentam ocupar a rive gauche do Rio Maracanã, incluída a caríssima joia da coroa carioca, obra por onde surgiram centenas de joias da coleção “gemas e algemas”. O conjunto pertence à madame Cabral, presa a compromissos inadiáveis em Bangu sur Guandu, agenda social que por cautela – é pena - a deixará de fora do inigualável réveillon em Mangaratiba sur Mer, que há de ser explosivo como nunca.

Tudo indica que será nesse exclusivo complexo de pavilhões diferenciados, exatamente no meio do caminho entre o cobiçado Alto Leblon e o elegante Resort Portobello, onde Cabral costumava reunir a familglia para o ano novo, que o PCC fará o seu maior investimento em 2017, com ênfase nos ramos de celulares, pecúlios e pensões.

Portanto, que me perdoem os paulistas, mas a marca PCC por aqui já tem dono. Mesmo no ramo do crime, organizado ou estúpido, significa Primeiro Comando do Cabral, Posto com Conexões em Curitiba.

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