Sensações Térmicas

29/12/2016

Não bastassem os 42 graus à sombra, a sensação térmica no Estádio do Bangu AC cresceu ainda mais com Loco Abreu. O uruguaio, ora um avante proletário longe da esquerda festiva, faz jus ao nome ao encarar Moça Bonita em pleno verão carioca.      

As temperaturas em Bangu costumam ser as mais altas do Rio de Janeiro. A proximidade do Maciço de Gericinó contribui enormemente para o clima na região, pois a formação rochosa funciona como as pedras de uma sauna seca. Já a relativa proximidade do mar de Guaratiba proporciona a umidade que aumenta sobremaneira a sensação térmica no bairro, emprestando ao sopé do morro o sintoma de abafamento que é característico da sauna a vapor.

Isso porque a topografia local é farta em encostas de acentuadas inclinações, verdadeiras escarpas de granito escuro que impossibilitam a formação das camadas de vegetação que amenizariam o fenômeno. Concorrem, portanto, para a absorção de uma enorme quantidade de calor, irradiada para as proximidades de forma inclemente.

Se as moradias de Bangu e adjacências necessitam de aparelhos de ar condicionado para um mínimo de conforto, até por uma questão de saúde pública, há, nas imediações do maciço, gente que não merece um pingo de alívio dos termômetros.  

Imagino as sensações térmicas que Cabral e Adriana tiveram no dia de ontem. De dia, aos 47 graus, devem ter lembrado a refrescante temperatura das águas da Costa Verde. Já à noite, aos 32, derreteram-se ao recordar o aconchego do Ritz no inverno parisiense. Além das doces lembranças de Paris para a eternidade, como o casal de Casablanca, os pombinhos de Bangu sempre poderão ter Curitiba. 

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