O Happening

Nos primeiros anos da década de 70, a disputa pela audiência dos domingos, entre as duas principais Redes de Televisão, Tupi e Globo , teve momentos patéticos.
Naqueles dias, os jornais populares, como o Dia, a Luta Democrática, e até mesmo alguns jornalões da época, como o Globo e Última Hora, abriram espaços para falar de um personagem que fazia muito sucesso num Terreiro de Macumba no subúrbio do Rio que era frequentado não só por pessoas humildes da periferia, como também por casais da elite carioca, que cruzavam a cidade na busca de  ajuda espiritual.
Chamava-se "Seu 7 da Lira" a entidade que incorporava numa senhora e promovia descarregos e ajudas para as dificuldades dos fiéis. Tudo isso regado a sons de tambores, muitos goles de cachaça, e fedorentas fumaças de charuto de terceira. No auge do transe, Seu 7 dava enormes cusparadas no  chão, talvez para expulsar o maligno de dentro das pessoas que a rodeavam enquanto dançava e dava passes.
Pois muito que bem! As produções dos programas do Chacrinha (Globo) e do meu pai (Tupi), iniciam então  uma intensa disputa para levar a bizarra senhora e seu dantesco espetáculo aos seus respectivos palcos.
Deu empate. Ou quase. A Discoteca do Chacrinha ganhou por pontos. Seu 7 da Lira, compareceu primeiro no programa dele e em seguida, na mesma noite, foi ao nosso. A foto mostra o happening em que se transformou esse momento.
 As audiências estouraram a boca do balão, mas a repercussão foi muito ruim. Críticas, carregadas de razão, vieram de todos os lados. Existe até a lenda de que a senhora de um Coronel do Exército, que assistia nosso programa, tenha incorporado a entidade e começado a dançar pela sala da casa enquanto dizia palavras incompreensíveis.
Flávio se arrependeu de ter promovido o circo de horrores em que transformou seu palco naquele dia.

 

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