Direto ao assunto: cumpra-se a Lei

18/01/2017

As rebeliões produzidas nas prisões brasileiras com a ajudinha do Papai Noel - seja sob a forma de indulto, seja pelos presentes levados até os condenados por seus visitantes - caíram como chuva no deserto de notícias em que entramos desde que o Judiciário e o Legislativo entraram de férias.

A imprensa não fala de mais nada e todos se tornaram opiniáticos; todos são absolutamente versados em sociologia, e deitam falação sem qualquer medo de errar.

Caso emblemático foi o Secretário da Juventude do Governo Federal, que sugeriu um massacre por semana. De fazer inveja a Sérgio Porto, o homem que compilou as nossas barbaridades nos famosos Febeapás - Festivais de Besteiras que Assolam o País.

Neste cipoal de loucuras, sobressaiu-se pela obviedade e pela síntese, o comentário da Presidente do Supremo: “Na verdade, não deveria existir celulares nos presídios. Gastar dinheiro com bloqueadores é a admissão de que não há controle nos presídios.”

Esse é o tipo de pensamento cristalino e objetivo que, tendo desaparecido da cena política, permitiu que chegássemos onde chegamos.

Se a Lei fosse cumprida, metade dos problemas brasileiros sequer existiriam.

Só pra não sair do tema, se todos precisam ser revistados para entrar num presídio, por que os advogados, os carcereiros e os políticos não são?

Até quando vamos viver numa sociedade de privilégios?

Se a Lei fosse cumprida, advogado, carcereiro ou político flagrados contrabandeando objetos para o interior das prisões ficariam lá por uma temporada. Os objetos seriam confiscados e destruídos, é claro.

Se a Lei fosse cumprida, Juiz vendendo sentença também ganharia uma temporada fora da sociedade. E temporada fora da sociedade em situação normal. Numa cela básica, porém com a lotação e serviços dentro da Lei. 

Basta cumprir a Lei e não se permitirá que carcereiros implantem regime de terror com os presos, criando a lógica do poder da força.

Também está na Lei a quantidade de pessoas que compõe a lotação do presídio...

Mas nós insistimos em ser o povo do atalho. Da ultrapassagem pelo acostamento. Do jeitinho que traz a vantagem.

E isso enseja todo tipo de discussão: se o Renan poderia ou não ficar na presidência do Senado; se o Lula poderá ou não ser candidato; se isso ou aquilo foi crime ou não…

Como todo mundo está dizendo o que pensa, também vou arriscar o meu palpite: se os brasileiros começarem a cumprir a Lei, não haverá país melhor do que este no mundo.

Até para os presos e os que, hoje, são apenas “ninguém”.

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