Homologação à grega

Conhecemos bem o arroz à grega, nem sempre apreciado por alguns troianos, espartanos no tocante ao paladar. Entretanto, há outras coisas oriundas da Grécia que não podem ser recusadas em um momento como o que vivemos, quando a democracia está à mercê de interpretações as mais subjetivas, todas apregoadas como fruto do mesmo cardápio regimental.

Para tanto, proponho uma viagem no tempo etimológico, e que ancoremos no Mar Egeu, a noroeste de Creta, onde o verbo homologar veio à tona. Só após um exercício boca-a-boca com as iluminadas helenas, acrescido de uma milenar escala em Roma, o termo foi dar ao Tejo, de onde zarpou em direção aos nossos complexos e inspirados textos jurídicos, verdadeiros hinos à controvérsia, base do contraditório burocrático, bem ao gosto dos privilegiados.  

Aos mais afoitos das gerações x,y,z, informo que homologação não é o que parece, algo como o estabelecimento de uma conexão homoafetiva online. Trata-se, na origem da palavra, da propriedade de falar igual, de assumir discurso idêntico, de confirmar um pensamento, de ratificar uma decisão já tomada por quem de direito.

Diante da desorientação generalizada que toma conta do país depois do acidente pavoroso - este, sim, ou não -, nada como uma bússola etimológica para indicar o curso. Na letra fria não da lei, mas da pré-lei, quando o princípio era, realmente, o verbo, está a carta capaz de afastar a possibilidade da navegação baseada nas estrelas. No caso, partidárias.

Teori comandava uma equipe competente e afinada, que não parou no recesso. Pois que venha a homologação do trabalho liderado pelo falecido relator, mesmo que vá fazer desandar a turma que já prepara o arroz de festa da próxima posse.

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