Caixinha de surpresas

Não é à toa que temos 11 ministros no Supremo. Tudo foi feito para imitar a seleção brasileira de futebol, segundo Nelson Rodrigues, a pátria de chuteiras. Daí o número de atletas em campo, do responsável por defender o time dos ataques adversários ao ponta-esquerda agressivo ou recuado, tática que possibilita a infiltração da defesa.  

Entretanto, como nas grandes equipes profissionais, há os que se exibem para a arquibancada, os que jogam para o time, os que carregam piano, os bajulados por empresários e aqueles que sonham com uma posição de destaque que os faça despontar para uma carreira independente.

A grande diferença entre tais seleções nacionais é que, depois que os ministros são convocados e aprovados pelo Senado, eles não deixam o time, mesmo depois de uma acachapante derrota de 7 a 1 para o combinado de Renan.

O Mensalão foi o primeiro mata-mata por pontos corridos televisionado entre os grandes. Casa cheia, várias câmeras mostraram as rusgas internas no plenário para um Brasil de audiência.

Obrigados pela idade ou condições físicas a pendurarem as chuteiras, saíram certos de que a fama adquirida nos embates pela dosimetria ideal haveria de lançá-los como comentaristas ou salvadores da pátria.

Só que não, pois logo surgiria a Lava-jato, operação que rebaixaria o mensalão à segunda divisão de crimes de colarinho branco.

Novamente desfalcada por obra do Sobrenatural de Almeida, a vaga do jogador principal está em jogo entre os atuais titulares, motivo de variadas teses, apostas e conversas de botequim.

Se, como diz o clichê, o futebol é uma caixinha de surpresas, esperamos que, ao soar do apito final, a dita cuja não se mostre de pandora. Afinal, não há como recorrer à FIFA, federação cujo padrão para a Copa de 2014 brincou nas onze do processo. Ou melhor, nas 12 sedes, entre as quais algumas estrelas da delação a ser homologada. 

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