Sarney / Jucá S.A e Geddel / Cunha S.A.

Antigamente para ser criada uma empresa S.A. era necessário, na formação inicial, a presença de, no mínimo, 07 sócios. Com o advento da Lei 6.404/76 tudo mudou. A partir daí, pode ser criada uma Sociedade Anônima com apenas 02 sócios. Elas têm características diversificadas, pois, seus sócios, normalmente, são convocados para as decisões que se fazem necessárias e, em conjunto, tomam as medidas pertinentes ao bom andamento da sociedade, diferente de uma empresa de capital limitado ou uma micro-empresa. Com isso, a turma do Nordeste não perdeu tempo, criou suas sociedades com o dinheiro público e sem quaisquer constrangimentos. Sutilmente, nas falsas artimanhas políticas engendradas há muito por José Sarney e depois por seus aliados mais chegados, nada mais é do que uma sociedade inescrupulosa entre nordestinos (José Sarney e Romero Jucá) e outra entre o baiano Geddel Vieira Lima e o carioca prisioneiro Eduardo Cunha.

A primeira S.A. formada entre Sarney e Jucá tudo começou quando o então presidente nomeou Jucá para dirigir a FUNAI e logo depois o colocou como Governador do Território Federal de Roraima e, assim, Jucá fez sua mulher, Maria Tereza Surita, agora ex, a eterna prefeita da Capital Boa Vista, além de ser Senador desde quando o Estado de Roraima foi definitivamente criado. Bom que se diga que tanto no Maranhão como em Roraima todas as empresas de comunicação existentes, Rádio, Jornal e Televisão, entre outras, pertencem a Sarney e Jucá ou aos seus familiares.

A outra dupla, Geddel e Eduardo Cunha, formaram uma sociedade diferente. Um, ex-vice presidente da Caixa Econômica Federal, já tinha o dinheiro do banco para ser manipulado. O baiano já experiente em transações ilícitas para até embromar Antônio Carlos Magalhães ao aliar-se a Eduardo Cunha, ficou patente que quem perderia nas suas megas transações era apenas a própria CEF e os que sempre votaram nessas duas peças sem escrúpulos.

Há inúmeras outras S.As. que foram articuladas e só terão fim quando os seus sócios forem totalmente engaiolados. Por exemplo, essa aqui no Rio de Janeiro, entre Jorge Picciani e Sérgio Cabral, extinta face às vergonhas descobertas, às prisões ocorridas e as que estão em curso. Essa S.A. teve seu início nos fins dos anos 90 na ALERJ e prosseguiu construindo valiosos patrimônios em brilhantes, fazendas, mineradoras, mansões, lanchas etc. Agora, através de seus assessores, também presos, estão abertos os caminhos das delações que, sem dúvidas, vão encher Bangu I, II, III e IX de facínoras. 

Na S.A. estabelecida em Niterói desde o início dos anos 1990, suas funções e atos estão em fase de transição, porque seus sócios majoritários, ex prefeito e seu escudeiro maior, encontram-se aguardando o que está por vir, vez que, todo mundo percebeu a fortuna que ambos amealharam da ex capital do Estado do Rio antigo. Tiveram seu período de esplendor financeiro durante 20 anos, formaram patrimônio invejável, sem nunca terem feito nada antes de positivo que justificassem tais fortunas.

A grande sorte dos brasileiros foi a aparição da Operação Lava-Jato, com Sérgio Moro à tiracolo, que está promovendo em todos os Estados da Federação as prisões de todos os ladrões do erário e não escolhe a origem de quem quer que seja. Só assim, as formações de sociedades de corruptos e corruptores terão fim no Brasil. Nas sociedades empreendidas por José Dirceu, Antônio Palocci, Tesoureiros do PT e de outros gatunos, tudo já se sabe, o fim aconteceu em Curitiba. Por certo, será o mesmo destino dos alagoanos Renan e Collor.

Essa gente corrupta não sabe qual é o custo para ser um empresário decente!

 

Célio Junger Vidaurre é advogado e cronista político, seus artigos são publicados em 11 jornais diários e 16 semanários do RJ.

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