Conspiração contra a teoria

É hora de muitas pulgas buscarem seus aconchegantes espaços atrás das costumeiras orelhas de estimação.

Um dia após a decretação de sigilo das investigações acerca do acidente de avião que matou Teori, atitude que alimentou ainda mais a teoria de sabotagem ou coisa similar, a conversa gravada foi divulgada na tevê.

Isso mesmo, na tevê, em canais abertos e fechados, reproduzida nas rádios e transcritas com riqueza de detalhes nos jornais de hoje. A matéria aparentemente proibida não adquiriu substância por vazamento, e muito menos por intermédio de um veículo acostumado ao jornalismo investigativo.

Quando ainda engatinhavam os protestos pela liberdade de imprensa, suspensa no ar por determinação judicial, antes mesmo da natural tentativa de cassação da medida por recurso à instância superior, foi publicada a análise preliminar oficial pela FAB. O furo de reportagem pousou calmamente nas redações, sob as asas de um convincente release.

O informe apresenta os termos da caixa-preta opcional, com todos os detalhes a favor da hipótese de acidente por desorientação espacial do piloto, condição motivada por excesso de autossuficiência, provavelmente causada pelo profundo conhecimento da topografia de Paraty.

Em bom português, inapelável falha humana, sem a possibilidade de substantiva contra-argumentação por parte do comandante da aeronave, igualmente vitimado na queda.

A meu ver, muito estranha essa súbita movimentação em prol da generalizada mudança de assunto. Causa espécie o ponto final antecipado, o sigilo escancarado, a conspiração contra a teoria original. 

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