Sempre Ele

“Quem é vivo sempre aparece” – diz a expressão popular. Se tal assertiva é verdadeira, então por que um sujeito muito vivo, e que gosta imensamente de aparecer - fato notório, assumido pelo próprio -, haveria de estar tão sumido. Quem acreditou que ele conseguiria destaque com a história do revolucionário creme dental estacionado na Anvisa deve estar sorrindo amarelo.

Pois agora, com prisão preventiva decretada, ele voltou a ser procurado em todo país, quiçá pela Interpol. Afinal, o pop star da cadeia de negócios X – não confundir com a provável startup negócios de cadeia - não era conhecido como Eike nunca ele ou Eike às vezes ele Batista.

Hoje vemos que o sentido de perenidade contido no advérbio de tempo, de vacas gordas, foi paulatinamente atenuado, mas não extinto. Está na Lava-jato, assinou a incógnita que batizou a Arquivo X e passa integrar, com toda Eficiência, o desdobramento da Calicute, a operação que afundou Cabral, que costumava voar em seus jatinhos por esse mundo desprovido de caravelas.

A frenética atividade do multibilionário, geradora de empregos bem remunerados, aliada a uma azeitada assessoria de imprensa, espalhava exemplos de robustas iniciativas pelos jornais, não raro benfazejas.

A preocupação com o patrimônio público e com a agenda ambiental chegava a ser comovente. Despoluir a Lagoa e a Baía de Guanabara era um compromisso de coração para com a cidade que amava desde o Edifício Serrador, com olhos no Hotel Glória e no Morro da Viúva. O dono das empresas X unia empreendedorismo com benemerência, capacidade empresarial com legado para a Cidade Maravilhosa.

Acima dele, só havia 7 mais ricos, que não perdiam por esperar a ultrapassagem pelo campeão nacional pelo BNDES, e uma peruca feita de seu próprio cabelo. Afinal, ele, sempre ele, sempre se fez por si mesmo. Ajudado por alguns jornalistas influentes, é claro.

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