Mr. Santos e a motivação filantrópica de Cabral


Mr. Santos

- Mr. Cabral? Charlie – Alpha – Bravo – Romeo – Alpha – Lima? Sorry, I can’t help you... My pleasure.

Segundo fontes britânicas que desaguavam no Serpentine Lake, o fim do diálogo entre o assessor de um conceituado colunista brasileiro e uma atenciosa recepcionista de um hotel de luxo situado às margens do Hyde Park, em Knightsbridge, ocorreu logo após o primeiro turno das eleições de 2010, quando Cabral abocanhou a reeleição com acachapantes 2/3 dos votos válidos no Rio de Janeiro.

Afinal, as Olimpíadas, a Copa de 2014, a Linha 4 do metrô, o Arco Rodoviário, as UPPs e as UPAs 24 horas necessitavam que as forças que se somavam fossem mantidas para posterior divisão com as empreiteiras. Não por acaso, um ano antes, a capa da revista britânica The Economist apresentara o Cristo Redentor alçando voo na vertical, sob a chamada Brasil takes off.

Em suma, o inquestionável aval popular à união entre PMDB e PT no Rio, que também conquistara o Senado no estado com o jovem ex-prefeito de Nova Iguaçu por larga margem, acabara de ser apresentado com todos os carimbos.

Governo federal, estado e prefeitura do Rio de Janeiro vinham afinados como nunca, e o poste sem luz recém-erguido por Lula demonstrava claramente o sucesso da somatória bipartidária, que ainda incluía o empreendedorismo avassalador de Eike, o maior campeão nacional do BNDES, o ás da logística empresarial, homem que mandaria embora o atraso do norte fluminense por via marítima, precisamente pelo píer do moderno e ecológico Porto de Açu.

Nessa altura do campeonato, o governador, em anônimas férias em Londres, já era um abastado milionário, capaz de sustentar, com o necessário conforto, 7 ou mais novas gerações da exigente família Cabral. Mas o que dizer dos Santos e seus milhões e milhões de primos desassistidos?

Sim, Santos é o seu último sobrenome, sob o qual estava registrado no elegante 5 estrelas londrino. Tudo perfeito, como atestara o passaporte por ocasião do check in, quando revelara a intenção de, à moda antiga, pagar cash a fatura, em libras esterlinas, notas sobre notas com a efígie da rainha, talvez em homenagem à Casa de Windsor e à longeva monarquia constitucional. Que Serginho tem um enorme coração, isso é fato notório. Sempre preocupado com os velhinhos, incentivava o idosos com reiteradas alusões à melhor idade. Pois creio que, sensibilizado com o parceiro de votos, que tomara a responsabilidade de garantir o sustento dos Silva para si, ainda que pela generosa mão dos amigos, ele faria o mesmo com os Santos, razão pela qual ainda seriam necessários uns bilhões espalhados pelo mundo. Tanto que Barusco, de família pequena, contentou-se com pouco.