Abalando Bangu

Não é necessário ser Loco Abreu para abalar Bangu com cavadinhas.

Se há de restar uma coisa boa, um legado para os valores a serem perseguidos pelos filhos do megaempresário transferido em tempo recorde de Água Santa para Bangu 9, essa é a mensagem da importância da educação superior. Assim, seus herdeiros saberão que não deverão desistir com facilidade de um objetivo maior.

Posso avaliar perfeitamente o que Eike sentiu ao se deparar com seu primeiro X tendendo a zero ou ao infinito a bordo de uma função trigonométrica, incógnita não raro estampada em um denominador de fração, baita indefinição que deve ter mexido fundo com as suas perspectivas de futuro. Para fugir do problema, o jovem Eike poderia ter lidado com sangue, cadáveres, arcadas dentárias ou leis, mas não impunemente.

Em paralelo, sei bem o que o pobre estudante de Engenharia sentiu ao se deparar com as primeiras questões propostas pela Mecânica Racional I, onde diagramas de corpos livres revelavam-se as próprias antíteses das forças ali concentradas. Corpos livres para viajar, namorar ou comprar minas? Isso sem contar o atrito.

O fato é que a liberdade total de escolha venceu por 40 anos, do momento do abandono da faculdade até a faculdade de escolha do presídio onde ajudará a passar a limpo a história deste país.

Eike comprou a glória, o Glória, cercou a Viúva e pegou o morro que a cerca. Construiu portos, montou restaurante, surpreendeu ao estacionar carros de luxo em seu escritório e ter um cachorro não metafórico como assessor direto.

O ensinamento que ficará pra galerinha da mitologia nórdica será o de que não bastará comprar participações em sociedades, licenças ambientais, jornalistas conceituados, mulheres estonteantes, hotéis paradisíacos, presidentes populares, governadores insaciáveis, primeiras-damas vaidosas, ministros articulados, senadores probos, deputados ilibados e desembargadores destemidos antes que os rapazes adquiriam um diploma básico, de qualquer profissão de nível superior, conferido por qualquer universidade fajuta reconhecida pelo MEC.

Cumprindo prisão preventiva em um pavilhão numericamente à frente de Cabral, achacador que ocupa o seu sonho atual de consumo, é hora de o megaempresário abalar Bangu, mesmo que o Lamborghini fique apertado na cela comum.

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