Moonlight - a caminho do Oscar

Há uma certa semelhança entre as minorias que habitam bairros que funcionam como guetos numa America rica e aquelas que habitam as favelas no Brasil. As diferenças ficam por conta de uma estrutura urbana mais organizada lá, mas as semelhanças ficam por conta da influência do tráfico de drogas, e da baixa expectativa de alcançar camadas sociais mais favorecidas
Barry Jenkins, um realizador negro, fez um filme com um elenco 100 por cento negro e é candidatíssimo ao Oscar de melhor filme. Um pouco de reparação em relação ao Oscar branco de 2016, mas, mais que isso, o reconhecimento de um filme que merece prêmios e elogios. Já levou o Globo de Ouro e, por merecimento, levará também o Oscar, se conseguir driblar o hiper festejado La La Land.
O filme de Jenkins, que dirige o seu primeiro longa metragem, centra a sua narrativa na história de uma criança tímida que vive num gueto negro de Miami, sofre perseguição dos colegas que o acham esquisito e se vê protegido por um traficante que lhe oferece mais afeto do que a própria mãe, uma mulher destruída pelo crack. O filme retrata três fases da vida de Chiron, a infância, a adolescência e a idade adulta. O menino Chiron que só é chamado de moleque (little), é uma criança terrivelmente assustada e insegura que apresenta dificuldades de relacionamento e vive cercado de incertezas quanto às suas próprias escolhas.
O filme tem um andamento lento, inspirado no ritmo do cinema europeu, e consegue tocar em questões importantes como bullying, sexualidade reprimida, frustração, relações familiares, drogas e repressão. Passa por tudo como um painel do cotidiano de vidas que vão tomando rumos fora do protocolo convencional e faz isso como um mosaico, sem cair em clichês ao tentar impor discursos moralistas ou soluções fáceis.

O ator mais conhecido (ou menos desconhecido) é Mahershala Ali, que faz o pequeno papel de um traficante que resolve proteger o menino perseguido. É candidato a melhor ator coadjuvante. Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes fazem Chiron nas diversas etapas da vida. Vale destacar o excelente desempenho de Andre Holland, o amigo de Chiron na fase adulta. Na minha opinião, a candidatura ao Oscar de Supporting actor seria dele.
Será bem novo na história da Academia um filme de orçamento baixo, com um elenco sem nenhuma estrela, de um diretor estreante, levar o careca. Tomara!

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