É dos carecas que elas gostam mais

Já foi o tempo em que as raposas do PMDB gostavam de ser escaladas para tomar conta de recheados galinheiros, tudo nos fios dos bigodes pintados.

Depois da gorda temporada do PT no poder, a escala passou a ser bem outra, tendo ficado pra trás a era do romantismo oligárquico do norte e do nordeste, quando não eram necessárias cuecas recheadas, empresas off-shore ou contas em paraísos fiscais para a efetiva continuidade das dinastias locais pela já tradicional via do superfaturamento.

Tais como os campeões nacionais treinados pelo BNDES, as felpudas criaturas, com ou sem implantes, não se contentaram com menos do que granjas automatizadas, em que era tudo programado, do rompimento da casca do ovo ao abate antisséptico. Só então, sem pena alguma, e bem longe do cocoricó da imprensa, as raposas se fartavam.

Pois ontem foi solicitada a abertura da temporada de caça às raposas Jucá, Renan e Sarney. Tudo porque Machado, o sanguinário serial killer da Transpetro, em troca de uma pena branda, aplicara golpes baixos nos caixas-altas do partido.

Na condição de perseguidas, as pobrezinhas lutavam contra a sangria desatada que estaria sendo provocada pela matilha de cães procuradores. Esporte preferido dos lordes britânicos, que os clarins não tenham sido acionados para inglês ver e ouvir.

Por falar nos súditos da rainha, a estreia do novo relator para decidir sobre as investigações baseadas nas gravações de Sérgio Machado há de atrair a mesma atenção que Gabriel Jesus vem despertando na Premier League. Que ele também salve.

Já é sabido que o ex-presidente da Transpetro, dileto afilhado de Renan, desferiu traiçoeiras machadadas a torto e a direito contra o padrinho que controlou a ingrata esquerda. Teve a coragem de ferir o bonachão que, com providencial ajuda suprema, poupou o coração valente dos horrores de uma cassação.

A medida rechaçada, neutralizada apesar de constitucionalmente cristalina, afastaria a presidenta apeada, por longo período, do aconchego do foro privilegiado. Pois Renan e suas companheiras de espécie buscavam não mais que ampliar as liberdades democráticas pautadas no estado de direito.

A trama consistia em aprovar a proibição de acordos de colaboração premiada com investigados e réus presos. E, sobretudo, acabar com a prisão imediatamente após a segunda instância, em vez da saudável apelação até o Supremo.  

Com a nomeação do Ministro da Justiça para o STF, Alckmin e Serra prometem cortesia com o chapéu alheio. Em tempos de carnaval e proteção às raposas, cuja caça foi proibida até pelo Parlamento Britânico, a sabatina deverá mostrar que é dos carecas que elas gostam mais.

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