Dez anos sem João Hélio

Diante de tanta brutalidade, de tanta insensatez, de tanta ignorância vigente em nosso Brasil me peguei pensando sobre o caso do menino João Hélio Fernandes, brutalmente arrastado por um carro conduzido por marginais e assassinado no Rio de Janeiro.

Lembram, ou já caiu no esquecimento?

Foi há exatos dez anos, 07 de fevereiro de 2007. Muita gente não vai gostar do que eu vou comentar aqui, mas é a pura verdade, queiram ou não queiram.

Quando digo que a infelicidade da morte do João Hélio Fernandes é conseqüência é porque esse lamentável fato é conseqüência de tudo que nós, sociedade brasileira, fizemos e continuamos a fazer ao longo do tempo.

Os cidadãos, ou pelo menos a grande maioria dos que hoje pedem a adoção da pena de morte, a redução da idade penal para 16 anos, o advento da prisão perpétua etc., são os mesmos que cometem os chamados pequenos delitos.

São os que se revoltam quando cometem uma infração de trânsito, são multados e querem corromper o guarda da esquina. São os que mesmo diante da placa de advertência de “não pise na grama”, atravessam as praças exatamente pela grama, pois é o caminho mais curto.

São os que, também diante de placas “proibido cachorro”, passeiam com seus cães nas areias das praias sem focinheiras e coleiras. São os que deixam seus cachorros fazerem suas necessidades nas calçadas e não limpam a sujeira para que outros cidadãos sujem seus calçados. E por aí vai.

Hoje vamos nos lembrar de outro fato: há algum tempo, o Programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, pôs no ar uma reportagem sobre fraudes em atestados de óbitos através de agências funerárias. O negócio funcionava da seguinte maneira: uma pessoa morria em casa e para agilizar o sepultamento a funerária fazia todo o serviço, desde fornecer o atestado de óbito, evidentemente que com a ajuda de médicos desonestos, já que eles atestam a morte sem sequer examinarem o cadáver, o fornecimento do caixão, translado para o cemitério, velório e enterro. E aqui voltamos ao ponto de partida, pois só existe gente fazendo esse tipo de coisa porque tem gente disposta a pagar pelos serviços. Logo o Ministério Público diz que vai apurar os fatos com rigor. Logo o Conselho de Regional de Medicina se mobiliza para “punir” os tais médicos. E aqui eu faço uma pergunta: alguns de vocês, caros leitores, conhece algum médico punido pelo CREMERJ, apesar de cometerem diariamente barbaridades, como é o caso recente, também denunciado pela imprensa, de um cidadão que se internou em um hospital para realizar uma cirurgia em uma perna e operaram a outra? Esse cirurgião foi punido? Ninguém sabe, ninguém viu. Portanto, ou nós nos melhoramos a nós mesmos, não tergiversando com os pequenos delitos, ou não vamos a lugar algum. A sociedade brasileira, como um todo, está doente e não só algumas partes do corpo.

 

“Os princípios mais importantes podem e devem ser inflexíveis!”(Abraham Lincoln).

 

 

 

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