Partido-alto

 

Em poucas palavras, pode-se definir partido-alto como a improvisação em ritmo de samba, espécie de desafio sem zabumba ou sanfona, dotado de um estribilho destinado a fazer o componente da roda de bamba pensar na sua iminente contribuição à plateia reunida em torno dela.

Uma vez gravado ao vivo, ou pasteurizado em estúdio, a sequência consegue transmitir a espontaneidade de determinado momento, mas barra a resposta aberta pelo último verso. Ou seja, tendo acabado a canja por força do tempo médio de execução no rádio, espécie de produto da regulação do jabá, fica para o ouvinte criativo o bagaço da laranja.  

Já o partido alto, sem hífen, é aquele que voa longe do alcance da planície. Ao abrigo do planalto central, surdos aos que batem bumbo, sabem encontrar rimas infindáveis para esquentar seus tamborins. Michel do Cavaco, Lula das Sete Cordas, Renan da Viola e Aécio Boca de Trombone, com Rodriguinho na percussão, ditando o ritmo, vão deixar cair a cassação de registro das legendas pelo TSE. Vão fundo pelo fundo partidário, tudo pra acabar com as aleivosias dos premiados ateus que cantam o partido-alto de Chico Buarque na interpretação da Odebrecht, com 77 repetições.

Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ô nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ô nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará...

Melhor votar urgência urgentíssima, urgentérrima se for o caso, para os partidos altos não perderem seus fundos no tribunal eleitoral que, para não perder a canja, nos tomaria o bagaço da laranja.

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