Tempos de aneurisma

Fui me meter outro dia com um tema banal – a recomendação de não se assoar o nariz – e o mundo desabou sobre os meus ouvidos.

Alguém listou os malefícios do mau hábito de se assoar as narinas. Pode fazer sangrar o nariz, pode estourar os tímpanos, pode reverter o muco da coriza para dentro dos seios paranasais,

retardando a cura da gripe e evoluindo para otite, sinusite e outros ites.

Tossir e espirrar, sim; assoar o nariz, não: uma tomografia computadorizada revelou que o simples assoar gera uma pressão enorme, “o equivalente à leitura de pressão arterial de uma pessoa”. E – queda e coice – pode provocar tontura e até desmaio.

O olho de uma paciente inglesa teria crescido do tamanho de uma bola de golfe por ter ela simplesmente assoado o nariz com força, assegura o relato médico do Leicester Royal Infirmary University Hospital; a mulher correu o risco de ficar cega vitimada por um enfisema orbital.

Como viver anda ficando cada vez mais perigoso, há na internet um passo-a-passo detalhado que deve ser seguido para se assoar o nariz de modo seguro. Escolha o melhor lenço, abra a boca e feche os olhos, feche uma narina com o dedo, assoe através da narina aberta, troque de narina e assoe novamente, limpe o nariz, livre-se do papel de nariz ou guarde o lenço escondendo a parte utilizada e lave as mãos.

Não está fácil e ainda pode ficar pior: café, sexo e assoar o nariz podem aumentar o risco de derrame, segundo pesquisa feita na Universidade de Utrecht, Holanda, com 250 pacientes com sangramentos no cérebro. A pesquisa, publicada na revista especializada da Stroke Association, revela que esses três hábitos – beber café, fazer sexo e assoar o nariz – podem provocar ruptura desses vasos enfraquecidos, diagnosticada como aneurisma cerebral.

Mal tão em voga esses dias, pode libertá-lo tristemente da vida ou alegremente da prisão.

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