Como encontrar o sono

Leio num almanaque, El Libro de las Mentiras, que contar cabritinhos ou ovelhas não ajuda em nada a pegar no sono.

Dormir, nesse mundo de atribulações, virou grave problema médico, tratado já como distúrbio a afetar uns 45% da população mundial.

Velhos problemas como o terror noturno, provocados pelas histórias de mulas sem cabeças contadas pelas amas de leite, ou o sonambulismo, muito comum entre os que habitavam castelos, com escadarias labirínticas e janelas abissais, agora se transformaram em epidemia global.

Nuns a causa é a depressão ou a ansiedade, noutros a falta de ar, catalogada como Síndrome da Apnéia, Hipopnéia Obstrutiva do Sono, a Síndrome das Pernas Inquietas ou as Parassonias. Alguns lutam contra a falta do sono sem causa aparente: os portadores da Insônia Idiopática têm dificuldade de dormir desde a infância. E há os que dormem bem e, no entanto, talvez por distúrbio de memória, estão sempre a queixar-se de que mal dormiram ou dormiram mal, acordando irritadiços e de mau humor.

A leitura do El Libro de las Mentiras poderá ser um bom antídoto para tal transtorno.

Vejam as demolidoras revelações da pesquisa de Aníbal Litvin: a geometria euclidiana não é de Euclides, as tulipas holandesas são, na verdade, originárias da Turquia e as Ilhas Canárias devem seu nome aos cães e não os canários.

É possível espirrar com os olhos abertos, cortar cabelos não os faz crescer mais fortes e tanto cabelos e unhas não continuam a crescer depois da morte; é pura ilusão de ótica.

Nesses tempos de tanta confusão será útil saber que os movimentos do planeta Terra não são dois, mas cinco: rotação, translação, precessão, nutação e bamboleio de Chandler. O raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Fazer exercícios pela manhã queima tantas calorias quanto fazê-los à tarde ou à noite e comer miolo do pão não faz engordar mais do que a casca.

Wolfgang Amadeus Mozart não era Amadeus: chamava-se Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart.  Não existiram os cavaleiros da corte do rei Artur, que sequer era rei.

O lava-jato Robin Hood não era o bandido generoso que roubava dos ricos para dar aos pobres. Piratas não enterravam tesouros; talvez usassem as jóias e as moedas de ouro para corromper políticos e suas esposas. Ali Babá não liderava um bando de 40 ladrões. Eram mais de 40 e algumas linhagens continuam ativas até hoje.

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