Filho de Lobão

Antes de se tornar monstro, Leviatinho – digamos assim – era um inofensivo alevino. Já o famoso Leviatã era um ferocíssimo peixe gigante citado no Antigo Testamento. A exemplo da monstruosa delação da Odebrecht, o ser mitológico causava terror mesmo entre graúdos da espécie.

Filho de peixe, peixinho é. Daí que, por analogia animal, filho de lobo, lobinho seria. Mas e o filho de Lobão, lobo que pertenceu à fauna privilegiada enquanto substituiu o pai?

O pobrezinho é alvo da operação Leviatã, medonha e gigantesca criatura que empresta o nome ao novo filhote da Lava-jato. Suas garras, tentáculos e escamas investigam um belo monte de propinas em Belo Monte. Seria hora de deixar um membro da família desamparado, à mercê dos terríveis predadores habituais?

A extinta pasta da pesca faz falta, sobretudo depois que foi deflagrada a operação Betsaida, referência ao local do mar da Galileia onde, pelo evangelho segundo pastor Crivella, deu-se o milagre dos peixes, prodígio replicado com sucesso em Goiás, cuja sustentabilidade dependerá da fé cega de procuradores e da crença de policiais federais.     

Por outro lado, mais materialista e secular, na obra Leviatã, o filósofo Thomas Hobbes afirma que o homem é o lobo do homem, inclusive o que tem faro para constituição e justiça.

Sabendo-se que o filho do homem em questão já é um homenzinho, afora que não possui a prerrogativa de foro, o que fazer para torná-lo inimputável constitucionalmente, com toda a justiça?

Será que um novo ministério será necessário para neutralizar as operações em curso? Ou dois, da caça e da pesca, voltados para o entorno do lago artificial da represa tocada por Lobão enquanto ministro de minas e energia?

Se desde Noé o respeito às famílias é sagrado, a evolução do criacionismo fez ampliar o rol dos descendentes dos felizardos que desembarcaram da arca. Seria cristão esse abandono fora do foro?

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