A Entrevista

 

Final dos anos 60 início dos 70, a Revolução brasileira, barbarizava no pós AI5 de dezembro de 68. Do governo, tortura, censura e luta contra a guerrilha. À Esquerda, guerrilha, sequestros de diplomatas estrangeiros e roubos a bancos. A imensa maioria da população não sabia de nada do que acontecia nos bastidores do país e vivia num clima de muito entusiasmo, com os 10% de crescimento econômico anual, o Pra Frente Brasil e o Salve a Seleção!
O Pasquim era um tabloide delicioso e sobrevivente da censura, que sacaneava como podia o governo e os que lhes eram mais próximos.
Essa foto da capa abre a grande entrevista que seus editores fizeram com meu pai, naqueles dias. A pouco sutil imagem do Velho se preparando para puxar a descarga, dá o tom do clima de batalha que foi o longo encontro entre as tropas inimigas (representadas pelos coronéis jornalistas, Paulo Francis, Sergio Cabral (pai), Ziraldo, Tarso de Castro, Martha Alencar, Luiz Carlos Maciel, Flavio Rangel) e o solitário terrorista e apresentador.
Quase saiu porrada, de tal modo os ânimos se exaltaram, mas o conteúdo da matéria vale a pena ser lido (Pasquim edição 67 de 30/09/70)
Ao fim e ao cabo, com todas as grosserias e acusações caluniosas de alguns mais exaltados, sobreviveram todos, com pouquíssimos ferimentos.
O velho termina dando notas de Zero a 10 para o que achava da arte de alguns famosos:
Queixas, por favor, devem ser encaminhadas para o Cemitério de Petrópolis, onde ele descansa há 31 anos!
Erasmo 5, Roberto 10, Tom 10, Maysa 7, Elis 10, Francisco Alves 0, Jacob do Bandolim 0, Martinho da Vila 4, Gal Costa 8, Nara Leão 8, Chico Buarque 10, Carlos Lyra 10, Edu da Gaita 0 e Caymmi 100!

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