Fora Foro - Penicus Urinoculus

Penico em latim. Fosse eu um imparcial ministro do Supremo que soubesse colocar a política de lado ao vestir a toga, não pensaria duas vezes antes de clamar pelo urinol dos césares.

Primeiro Barroso e depois Fachin já manifestaram em termos menos convincentes o desconforto com a situação reinante. Recado aos legisladores interessados na palpitante matéria, interessadíssimos melhor dizendo, as respectivas entrevistas retrataram a revolta contra o caráter não republicano do privilégio que causa esse acúmulo desmedido de processos na Suprema Corte.

De minha parte, destaco o vaivém do foro momentâneo indicado ao privilegiado em questão, como bem ilustra o caso do mensalão mineiro por meio de seu mais ilustre personagem, ora nobre, ora plebeu, quando quem paga a conta sou eu.

A brincadeira de esconde-esconde legal passeia de Brasília às comarcas com marcas de esperteza no chão, pegadas que levam a lugar nenhum pelo caminho da prescrição, perdição de tempo, de dinheiro público, mas não do montante particular auferido pelos nobres colegas defensores, honorários pagos no relógio, taxímetro da impunidade que corre no tempo e no espaço.

Mas como renunciar a um poder que está sendo oferecido em todas as ocasiões aos ministros do STF? Monocráticos, nas turmas ou no pleno, são chamados a intervir a toda hora pelos outros lados da Praça em que passaram a reinar, seja por causa de um Legislativo emparedado pelas circunstâncias, seja pelo Executivo que brotou das paredes pichada e impichada.

Penicus urinoculus peniculorum!!! 

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