Silêncio

Filmes com temática religiosa em que se praticam barbaridades em nome da fé são muitos. Tanto cristãos, muçulmanos e hereges já sofreram torturas bárbaras, vitimados ou pela crença “errada” ou pela falta de fé em várias partes do mundo e em diversas épocas. Atualmente, boa parte da civilização estabeleceu seus princípios num Estado laico, onde a prática religiosa é livre, sem nenhuma interferência política. Porém é lamentável que, mesmo no século XXI, ainda existam povos que praticam o obscurantismo religioso de forma selvagem.
“Silencio” (Silence), o mais novo filme de Scorcese, volta ao tema, ambientando-se no século XVII no Japão budista, onde a prática cristã era punida com tortura e morte. Dois padres jesuítas portugueses liderados pelo padre Rodrigues (Andrew Garfield) vão em missão resgatar o padre Ferreira (Liam Neeson), que está supostamente desaparecido em missão anterior.
O filme nos seus excessivos 161 minutos vai fundo na questão da fé, do medo, da resignação e de todos os sentimentos que acabam embrutecidos pela violência e pela crueldade.
Martin Scorcese é um dos mais experientes cineastas em atividade.

É autor de obras primas como “Taxi Driver”, “Os bons companheiros”, “Touro Indomável” e “Gangues de Nova York”, além de mais de uma dezena de filmes memoráveis, e não seria agora nesta altura da vida, que faria um filme sem a qualidade que marca sua filmografia. Entretanto, parece que o diretor, que também assina o roteiro, errou a mão na duração da película. Misturados com momentos lindíssimos, percebe-se também uma certa insistência desnecessária em mostrar repetidas vezes certas angustias e catarses, espichando um filme que se resolveria facilmente em 120 minutos.
Com produção caprichada, fotografia predominantemente monocromática, uma seriedade documental e boas atuações, o filme tem seu espaço na extensa galeria de obras que se ocupam de crimes cometidos em nome de Deus, seja Ele quem for.

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