Disenteria Verbal

A Odebrecht informa: o presente artigo será um pouco mais hermético do que os habituais, em virtude de o autor ter profundo pavor de eventuais consequências oriundas do hipotético embate entre excelsos entes togados. O articulista teme um processo por alegada injúria e involuntária difamação proveniente da suposta briga de cachorro grande que vem ocorrendo nas cercanias da Praça dos Três Poderes, onde tais enormes caninos tentam marcar território por meio de suas necessidades fisiológicas. Em suma, o texto é recomendado, apenas, às mentes ociosas, aquelas que possuem abertura, tempo e sagacidade para decifrar as descontínuas e esburacadas entrelinhas da política.  

“Você abusou, tirou o partido de mim, abusou” – desabafou o Toquinho que restou do incansável ex-presidente do Senado, autor do Projeto de Lei que tipifica o abuso de autoridade. Em harmonia com os cachês artísticos pagos nos banquetes palacianos, o novo menestrel das Alagoas soube tirar partido da desavença pública que assistimos entre, digamos, Sangria e Torniquete. Cantou alto para espantar os males provenientes, sobretudo, da hemorragia causada pela machadada, tendo encontrado respaldo no goleiro que nos tirou o complexo de vira-latas em meio aos anos dourados.

Apesar de seguir líder do PMDB na Casa, cuja constituição faz justiça a Lobão, famoso por seus memoráveis estoques de vento, talvez a razão de ter sido o ministro da idealizadora do projeto de armazenamento eólico, os pontos corridos da matéria não foram suficientes para pautar com urgência urgentíssima a vingança contra a lista daquele que procurou geral e encontrou de montão. Ao reclamar um higiênico descarte do material vazado com o defensor da baliza imposta pelos grandes círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder, o parlamentar lembra Buñuel em seu Fantasma da Liberdade, nada a ver com os funcionários lotados em seu gabinete. A disenteria verbal chegou à privada de jantar, enquanto a decrepitude moral formava a plateia que testemunhou, na condição de ré, a chegada do novo juiz. Para o espectador eminente, pulseira em vez da tornozeleira iminente.

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