É tudo tão rápido...

03/04/2017

A vida tem passado aos trambolhões. Quantos conhecem essa palavra? Era assim que se dizia, décadas atrás, quando as coisas simplesmente desabavam, ruíam com muita velocidade.

Pois é assim que assimilo o nosso cotidiano: os acontecimentos desabam no noticiário com tanta falta de cerimônia, que vão simplesmente solapando (outra palavrinha antiga para dizer “destruindo as bases”) nossas convicções, o conjunto de valores a que chamamos de Ethos, e a nossa capacidade de exercer algum controle sobre o mundo que nos cerca.

Tirando um fato mais emblemático aqui e ali, como o Eduardo Cunha e o Sérgio Cabral, mantidos à tona sabe-se lá por quê, todo o resto acaba fadado ao esquecimento. Ou pior, assimilado por todos como algo menor, corriqueiro, um simples “mal-feito”.

Ao contrário do que se diz por aí, há um limite claro para a nossa indignação. É a nossa zona de conforto. Precisamos acreditar que nosso código moral vale à pena, que os desvios de comportamento são pontuais. Que as Leis são boas e foram feitas para nos proteger. E que essas pessoas que nos assustam, os homens públicos que usam o Estado para roubar, são os verdadeiros marginais, e não nós, como parece.

É para não ultrapassar esse limite, que nos tiraria o equilíbrio interno, que vamos esquecendo, deletando esses incômodos. Assim nos protegemos.

E, assim, damos sobrevida aos criminosos e aos crimes que cometeram.

Aqui estão alguns exemplos de coisas que já nos indignaram e que passaram batidas para nosso esquecimento: quem ainda fala em Pasadena, aquela refinaria da Petrobras nos Estados Unidos, cujo escândalo precedeu a própria Lava Jato? Afinal Dilma sabia? E o Mantega, o que fazia lá depois? E os demais conselheiros e diretores da empresa?
Tem outros. Que fim levaram as tais vigas da Perimetral? Como terminaram as auditorias na Petrobras e no BNDES? Os auditores que nada viram foram demitidos, pelo menos? Que rumo tomaram as investigações no caso dos empréstimos consignados?

Com isso o tempo passa. Fernando Pimentel continua governando Minas Gerais, Dilma se prepara para ganhar uma vaga no Congresso, Paulo Bernardo sumiu do noticiário…

O Mensalão nos escandalizou porque evidenciou a compra de congressistas para apoiar um governo. O Petrolão nos escandaliza porque evidencia a compra de governantes e congressistas para assaltar o Estado.

E, por filigranas jurídicas, somos obrigados a assistir corruptores fruindo a vida em "prisão domiciliar", e à maioria de nossos legisladores e governantes formulando Leis para protegê-los da própria Lei, em clara afronta ao bem estar social.

É tempo de transformar nossa indignação em ação pela dignidade.

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