Faz de conta

Fazendo de conta que os tribunais de conta existem para fiscalizar as contas daqueles que os nomeiam, seria a hora de Pezão pisar no que restou do gangrenado braço do legislativo, amputado próximo ao ombro amigo.

Mas não, pois como o governador meteu os pés pelas mãos na distribuição do furado pé-de-meia, sabe que poderá ferir a si mesmo se partir para o revide, o que poderia provocar uma reação em cadeia do seu criador.   

Coube a um membro apodrecido, convenientemente separado do corpo putrefato, revelar o segredo passado de forma vitalícia por todas as gerações de cabeças do partido governista, afundados até o pescoço papudo, candidato à guilhotina igualmente Papuda ou ao desfrute do resort banguense reformado para o sócio.

Com medo de repetir o homônimo profeta, que foi obrigado a passar 3 dias e 3 noites em prisão temporária determinada pelo Criador com C maiúsculo, Jonas, no meio da tempestade perfeita que agita o Rio, cujo mar não está pra peixe, temeu por uma baleia preventiva pela proa. É cetáceo pra mamífero nenhum botar defeito. A não ser aqueles que mamam nas privilegiadas tetas estatais, abusadas autoridades lideradas pelo errático Renan.

Premiado por abrir o bico, o arrependido delator revelou a receita do bolo que era dividido e saboreado entre os cúmplices do egrégio tribunal. Noves fora a reprimenda cabeluda divulgada pelo Globo de hoje na matéria intitulada “Tarefa Intransferível”, em evidente bullying entre comparsas da mesma escola, o que chamou a minha atenção foi o destaque conferido ao Detran. Sem nenhum favor, trata-se do benchmark da administração estadual há décadas.

A flor do organograma estadual reinventa-se a cada blitz, a cada carimbo, a cada agendamento, a cada apreensão, a cada pardal, a cada multa, a cada DUDA arrecadado a fórceps. Zeloso, brilha a cada vistoria - exclusividade nossa -, olho vivo e vigilante que se antecipa aos problemas com os automóveis. Que o digam os ancestrais modelos Kombi e Brasília que trafegam com toda segurança e respeito ao meio-ambiente pela zona oeste. Chupa, Brasil!

Já em 2001 cabia ao nosso glorioso órgão de trânsito, departamento hoje responsável pela emissão de vários outros documentos, inclusive um que ele mesmo não aceita, a carteira de motorista como identidade para fins de permissão internacional de direção, a arrecadação de 1 em cada 4 reais destinados ao TCE. Há dezesseis anos, os conselheiros cobravam R$ 400 mil mensais pelas contas aprovadas. Quanto seria hoje? Que pujança!

Em tempos de desprezo ao trabalho sistemático, minucioso, que antecipa as dificuldades para que o cliente ou cidadão possa usufruir das facilidades, que Graciosa homenagem ao conhecimento!

Os custos estratosféricos dos tribunais do faz de conta deveriam ser revertidos para os pobres cidadãos. Ganharíamos várias vezes, dos orçamentos superfaturados para satisfazê-los ao custeio das máquinas. É só fazer as contas.

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