O 15

03/04/2017

O título é “O 15”, em algarismos arábicos. Nada a ver com O Quinze, obra de Rachel de Queiroz, que retrata uma seca devastadora no sertão cearense em 1915. Se não temos Chico Bento como personagem, Rosinha passou por aqui casada com o bom partido, coisa de Garotinho que dura até hoje.

A seca aqui é outra, a obra aqui é outra. É Delta, é Odebrecht. Ela é Carioca. Basta o jeitinho de ela andar; aditivo e salto alto. Ninguém tem carinho assim pra dar.

O nosso 15 é mais embaixo, mais pro Sul, coisa que não está no mapa e ainda mais devastador, pois significa o poder absoluto de um partido que secou o Rio de Janeiro em todas as vertentes do poder. Todas! Tudo dominado, como dizem os mais experientes colegas de presídio.

O 15 drenou para si o muito que choveu na nossa horta. Sempre dando para receber, o 15 promoveu a transposição da oração de São Francisco para os seus devotados de votos. O 15 estendeu dos afluentes influentes as águas profundas exploradas na Bacia de Campos, agora na bacia das almas; almas penadas que arrastam correntes para Bangu. Ou, para o conforto da infância e da adolescência, para um domicílio desplugado à beira-mar.

O 15 enxugou tudo, do poço ao posto. Posto-chave, chave-mestra que abriu portas para a instalação da construtora, da execução ao fiscal. O 15 foi arrimo das encostas erodidas que desceram ao Rio Maracanã, margens nunca tão áridas e inférteis, ora um Rio Doce tirado das mãos das crianças jovens e adultas, enorme vazio depois da enxurrada olímpica, cúmplice obediente do patrão FIFA.

O 15 tenta esgotar o manancial do gêmeo Detran, faz chover na Alerj companheira ao molhar a mão dos aliados, porém respeita o ditado aditado com os amigos do TCE. Negócios à parte, o 15 entrega-se a 15%.

O 15 representa em minutos o tempo regulamentar do atraso brasileiro; em percentual a unidade de propina; em anos de cadeia o primeiro tempo de condenação do líder fluminense em Curitiba, que Brasília quer tornar Bastilha para soltar seus presos.

Que o atual hóspede de Bangu não saia em menos de 15 anos de tranca, regime fechado, sem progressão do regime de quentinha, mesmo que entregue, em delação permeada, envolvendo todas as esferas da justiça, todos aqueles que o mantêm na retranca, à espera da hora de contra-atacar.

Se o outro Cabral chegou por aqui em 1500, nunca antes na história deste país foi tão claro que a descoberta do Brasil representa 100 vezes 15, cem vezes PMDB, do PFL ao PT, passando pelo PSDB, aqui pelo PDT.

Pezão na bunda deles, a começar pelo próprio. Pra sempre.

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