Por acompanhar política de perto, eu já sabia há muito tempo, mas o brasileiro, que não gosta dessa chatice, temperada aqui e ali por uma eleição mais acirrada, mas de resto insossa, até pelo obrigatório linguajar empolado, deve ter se dado conta.

Sofrendo barbaramente com a crise, há de ter notado que paga fortunas de seus impostos para sustentar duas instituições que não servem para nada. Pior! Ambas servem para referendar prestações de contas tão fantasiosas quanto criminosas. Assim, de forma involuntária, sustentamos levas e levas de excelências e sinecuras penduradas que, por vontade própria, jamais sairão do armário.

Assumidos, pomposos, nada possuem de enrustidos, pois os cabides instalados nos tribunais eleitorais e de contas frequentam armários de fino trato e acabamento sob medida. Além de tudo e todos que cercam a exibição das folgadas e impecáveis togas, os armários apresentam cofre inviolável, à prova de cortes e blindado contra fogo cruzado, robustos conjuntos de gavetas para arquivo, acesso irrestrito às joias da coroa, às vezes também do coroa, coleções maranhenses de ex-votos, artigos para a retirada de maquiagem de balanços, sortimentos de caixas 1 e 2 e muito mais.

A despeito das dezenas de milhões de testemunhas oculares, e das ingênuas vítimas do estelionato eleitoral, a sessão do TSE começará hoje a julgar (rsss), por abuso de poder econômico, a indissociável chapa Dilma-Temer.

Trata-se de um ótimo exemplo do dinheiro gasto com o teatro institucional que se esgota não no conteúdo, no enredo carregado de clichês, mas no tempo do espetáculo. Por mais que se publiquem spoilers, a trama costuma se esgotar em si mesma, ao cabo de quatro anos de performances abstratas, remuneradas concreta ou obliquamente pelo grande público ausente.

Multiplicado pelo número de juízes, tudo leva a crer que o (no)show há de lembrar as ceras, milongas e catimbas das velhas Taças Libertadores, disputas travadas com encenações de parte a parte que tiravam até 75% do tempo efetivo de bola em jogo, das quais fomos libertados graças às transmissões das partidas ao vivo.

É hora, portanto, de acabar com as firulas. Para começar a arrumação dos armários, recomendam-se câmeras constantemente voltadas para os cabides. 

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