O suicídio da política

Na oportuna proteção do santo nome da democracia, a Corte Eleitoral choca o ovo da serpente. O argumento subjacente ao casuísmo é: melhor não operar o doente; afinal, ele não pode morrer.

Se julgar pela cassação, faz cair a guilhotina e rolar a cabeça. Se mantiver, com recursos e manobras jurídicas, o julgamento em suspenso, mantém a espada no pescoço da governabilidade e o governo sob tutela.

Já dura mais de dois anos o chocking game que se joga no patético teatro pós-eleitoral e a pergunta é: por que o partido que perdeu as eleições e liderou o impeachment não desistiu da ação que pedia a cassação da chapa? Teria sido, talvez, gesto de menor vergonha política e de maior contribuição para a travessia da pinguela. Ou queria com o pedido – ameaça sempre viva – manter refém o governo?

Agora, no caminho de chicanas para os campos Elíseos, defesa e acusação usam os mesmos argumentos. No éden, Adão e Eva terão cometido o mesmo pecado. As serpentes, essas não precisarão ser chamadas à oitiva: já falam abertamente pelos corredores e nas salas de jantares.

É o cadafalso de cada falso argumento. A Nação impaciente sabe os crimes que foram cometidos e qual sentença deverá ser proferida. O doente já está morto. A Corte, no entanto, prefere o cortejo de defesa da democracia, enquanto carrega seu cadáver para o cadafalso.

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