Amigo do vazamento


Não quero antecipar os próximos capítulos da novela, mas o depoimento do filho do homem pode marcar uma importante mudança de curso na narrativa que sustenta os fiéis àquele Amigo de fé, irmão camarada que teria de vir para lhes salvar.

Não se trata de spoiler, pois não tive acesso ao material vazado dos testemunhos contra o Italiano e o Pós-Itália da planilha da Odebrecht, e muito menos à fonte. Essa verdadeira Fontana de Trevi parece ter sido construída com os mesmos fins da narrativa que antecedeu a obra concebida em Roma, Mãos Limpas, porém guarda uma barroca característica do nosso senado, a mão grande.

Ganhar na mão grande, desde que de forma pomposa e com citações latinas, poderá constituir o pulo do gato para atingir a loba onde, segundo a mitologia golpista, mamaram os nossos Rômulo e Remo, gêmeos na forma de tirar leite das tetas estatais.

Uma vez caracterizada a ilicitude do vazamento, o próximo passo seria em direção à nulidade das provas vazadas, o que viria bem a calhar. Não tardará para que a manobra passe a ser o ponto central da eterna candidatura, e não só das defesas dos italianos confirmados em seus codinomes, seus beneficiários no Planalto e dominadas sucursais.

Depois do cristalino depoimento do maior fornecedor de dinheiro aos vendilhões do estado travestidos de progressistas, o que interessa é transformar as sólidas operações estruturadas na contabilidade bilionária da corrupção em novos castelos de areia.

Uma vez reconfirmada a identidade do Amigo do pai, nunca antes na história deste país o Amigo mais certo das horas incertas, é hora de ocupar as redes, fechar os olhos e as ruas para berrar que prova vazada não é prova legal. Basta aguardar a narrativa oficial petista. Não vai ter prova!

Inclusive, aproveitando o grito a ser devidamente amplificado pela UNE e UBES, os amigos estudantes também seriam dispensados. Bastaria o trabalho em grupo no lugar do teste. Não vai ter prova!