Já escolheu o seu Judas?

13/04/2017

Quanto mais claros e impressionantes ficam os saques ao Estado, mais a sociedade se cala, atônita, envergonhada de seus líderes, sua elite, suas práticas criminosas e, talvez, de sua própria pasmaceira.

Temos sido espancados sem dó nem piedade, ora pela frieza dos ladrões, ora pelo tamanho e continuidade dos roubos. Outras, pelas ramificações das quadrilhas, e até por assombrações como impunidade, prescrições de penas e votos em lista.

Não faltam declarações de escárnio e cinismo, como cusparadas pesadas em nossa cara perplexa.

Até ministros do Supremo, de quem se espera decoro, surgem do nada a defender o indefensável: financiamento do estado para escolher os ladrões da temporada.

Acostumado a uma falsa polarização entre ricos e pobres, cochinas e mortadelas, petistas e peéssedebistas, o país acordou deprimido nessa última segunda-feira, quando prenderam o ex-Secretário de Saúde do Rio de Janeiro, e permanece nas cordas até hoje, quinta-feira santa, quando até o clima - no Rio, pelo menos - parece ter aderido ao estado de torpor imbecilizante: a cidade amanheceu cinza, turva, fria e molhada. Estamos atordoados pela qualidade e quantidade de crimes narrados pela maior empreiteira do hemisfério sul.

As redes sociais, essas mesmas que promoveram a Primavera Árabe e sacudiram o Brasil por causa de 20 centavos, ainda não acordaram. Estão mudas, enquanto bilhões foram desviados da Saúde, da Educação, das Estatais.

Mudas enquanto se expõe, aqui e ali, mais um nervo - um vídeo, uma nota, um comentário…

Não fui convocado, ainda, para nenhum panelaço, abaixo-assinado, ou projeto de Lei.

Eu mesmo estou cansado de passeatas na orla, de discussões acaloradas no facebook, de pseudo debates entre nós e eles, como se fossemos macacos amestrados. Se há nós contra eles, que seja o povo contra os ladrões. Todos, indistintamente.

Chega de bater palmas para malucos dançarem.

Proponho algo concreto: vamos aproveitar o Sábado de Aleluia e malhar os verdadeiros Judas. Não aquele bíblico, que nos redimiu em seu pecado, mas esses da vida real, que condenaram gerações de brasileiros, roubando nossos sonhos e esperanças de redenção.

Tomate neles!

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