Una

UNA poderia ser um bom filme, mas não é. A narrativa excessivamente lenta e um exagero na abordagem hermética e silenciosa acabam por anular o interesse e o envolvimento emocional do espectador. O diretor Benedict Andrew em sua estréia no cinema deixa claro a sua linguagem teatral, onde construiu sua carreira, e fica clara uma certa dificuldade em lidar  com essa nova forma de expressão. Há bons momentos, sem dúvida, algumas tomadas plasticamente interessantes, mas o conjunto fica prejudicado, confuso e enfadonho.
Rooney Mara, a eterna garota estranha do dragão tatuado, tem o desempenho sombrio que o personagem exige. E seu companheiro, Ben Mendelsson domina bem o seu estilo, bastante teatral. No entanto, a química entre os dois deixa a desejar. A história é baseada na peça Blackbird e, ao usar flashbacks, alterna passagens com a personagem Una com 13 anos de idade (Ruby Stokes) e ela já mulher feita, indo buscar respostas com o homem mais velho que a seduziu na adolescência. Ressalte-se que as duas atrizes são extremamente diferentes fisicamente o que prejudica ainda mais a credibilidade na narrativa.
A história de uma mulher atormentada obcecada pelo orgasmo que teima em habitar sua memória afetiva bem poderia merecer um filme mais convincente.

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